sexta-feira, 5 de fevereiro de 2021

O essencial é realmente invisível aos olhos?

Como pode ter tudo e ainda assim se sentir tão miserável? Não é ser ingrato a Deus, ao Universo, à vida? 

O que me deixa realmente triste é que meu essencial não só é visível como é, também, palpável.

Acorda pra vida kiridinho. 

terça-feira, 12 de novembro de 2019

Where do I fit in??

Monet: Impressão, Nascer do Sol
Me sinto tão deslocado dessa realidade, nesse momento específico da história.
Olho para as pessoas à minha volta e não as reconheço.
Olho para seus costumes e não os assimilo.
Vejo suas crenças e não entendo.
Nada dessas coisas me fazem sentido.
Constantemente me pego perguntando: “Onde eu me encaixo?”.
Vivo uma constante luta interna.
Dessa vida nada consegui até então e culpo a todos pelas minhas desgraças
Mas responsabilizar aos outros é uma atitude muito simplista.
Onde encontraria as energias para me reerguer quando já fui tão maltratado?
Onde a cada segundo em pé parece uma eternidade e os olhares de julgamento, incessantes?
Engraçado como hoje aos 31 anos, o que deveria ter eram sonhos e planos. Mas tudo o que carrego comigo são lembranças.
Talvez eu seja velho demais habitando em um receptáculo tão jovem.
E eu estou muito cansado!!!
Cansado deste mundo e dessas pessoas.
Cansado de mim mesmo e das coisas que julgo como problema...mas há tantas outras em piores condições.
Há tantos problemas no mundo e meus lamentos revelam apenas o quanto ainda sou uma pessoa mesquinha e o quanto há ainda a se evoluir.
Muitas vezes a dor do outro também dói em mim e eu queria muito ter força e disposição de ajudar ao mundo. Mas a realidade é que não consigo ajudar nem a mim mesmo.
Mas eu queria muito!!!

sábado, 23 de março de 2019

Recomeçando....

Acho que terei de reaprender novamente como se utiliza essa ferramenta.
Sinto que há um século não posto aqui. Sempre fui dado a hipérboles.
Nem sei como contar tudo que se passou no decorrer de todo esse tempo.
Foram várias vidas...mudanças, empregos, vitórias, derrotas, amores, ilusões, dessabores, loucura, sanidade, sobriedade, dependência, superação, ...
Realmente! Não quero falar detalhadamente de cada uma dessas coisas. Com o tempo acabo por retomar cada uma delas.
Daqui em diante (se houver um daqui em diante) falarei do presente e só remeterei ao passado quando este for essencial para elucidar uma situação.
Em todo caso, de todas estas mil e uma voltas que foram dadas em minha vida, acabei retornando ao mesmo lugar e todo o conteúdo deste blog, ainda assim, parecerá estranhamente familiar.
Como se nenhum dia houvesse se passado.
Como se fosse ontem que houvera realizado a última postagem.
E nem tivesse sido necessário recadastrar outra senha porque já tinha me esquecido a senha original de acesso a este blog a MUITO tempo.
Estranho como as vezes nos deparamos com a ciclicidade do tempo.
Por maiores e mais demoradas voltas parecemos dar, em um determinado momento sempre acabamos por desenvolver uma espécie de consciência universal que retornamos ao ponto inicial.
É assim que descobrimos que um determinado ciclo se cumpriu em nossa vida.

terça-feira, 25 de novembro de 2014

Esperança!

Acho graça o modo como os últimos anos foram determinantes para a melhora de uma condição psicopatológica que por outros longos anos anteriores tem me afligido.
Após uma pausa extensa nas atualizações desse blog que tentei sempre manter como uma válvula de escape a uma dor interna intensa, minha atual postagem denuncia que as coisas não tem ido tão bem em minha vida.
Diferente do que antes me ocorria, hoje sou uma pessoa estabilizada. Não sei se poderia falar em cura, uma vez que a ausência de meus remédios retomam em novas sucessivas crises.
Confesso que outros ensaios foram feitos, todos em momentos de crise. embora antes de que uma carta, solilóquio ou soneto encontrem uma última sílaba, meus sentimentos retornam a seu estado "normal" e todas as linhas escritas denuncia uma puerilidade da qual, mesmo para mim, soam como inverdades. São descartadas cada uma daquelas linhas, enxugadas todas as lágrimas e apagados os cigarros, companheiros em momentos tão mórbidos.
Mas me enganei por anos. Não estive bem por todos estes anos pois uma ferida interna, inatingível aos medicamentos, ainda sangram; um medo e preocupação por algo do qual jamais venha a ocorrer.
Sempre com um coração batendo descompassado. Sem um compasso, um ritmo que possa indicar a sonoridade de uma melodia.
Seria esta composição trágica?
A verdade me revela apenas a solidão do qual tenho vivido ao longo de 26 anos, sem jamais saber o que é amar ou ser amado por alguém.
Saí do caos das grande cidades que exalam uma grande variedade de odores, sons e luminosos.
Vim para o campo. Uma região inóspita pouco conhecida e explorada pelo homem civilizado (leia-se: sujeito metropolitano).
Uma região que tem sua própria rotina, com normas de convivência que trazem a noção de bem-comum perdido ao longo dos séculos.
Pensei e relutei na decisão pela minha mudança: Seria um local designado pelo destino?
Haveria alguma grande surpresa do qual o tempo venha a trazer?
Nunca pude antes vivenciar o amor de outras pessoas em regiões de grande densidade populacional, talvez esta chance estaria no interior. Mas foi um grande engano!
Deixei minha família e parti rumo a um futuro desconhecido tendo como bagagem a esperança.
Mas hoje eu me sinto só.
Hoje, na verdade, eu sou só.
Não tenho com quem desfrutar os louros de meu trabalho. Alguém para, ao fim do dia, poder reencontrar e descansar em seus braços. Alguém com quem dormir acompanhado. Alguém para abraçar e sentir seu coração bater junto ao meu. Alguém para olhar fundo nos olhos e ver seu próprio reflexo estampado. Alguém cujos olhos sorriem, cujos lábios beije e cuja mão apalpe.
Confesso um desejo que tenho por uma certa pessoa da qual conheci.
Uma certa pessoa da qual eu não vi.
Uma certa pessoa da qual, posso nunca ter.
Eu já deveria ter me acostumado com esta sensação.
Já deveria ser íntimo dessa dor.
Nunca fui o tipo de ator reservado para o final feliz.
Na obra da vida, eu sou o coadjuvante. Sempre o amigo de algum qualquer protagonista.
Aquele que igualmente sofre, mas abdica de seu final feliz pelos outros.
Confesso que já nem tenho rezado. Não acredito que Deus vá confiar a mim alguém para amar, visto que jamais poderia concordar com relações ditas na Bíblia como "vergonhosas".
Tenho em Deus um feroz e onipotente inimigo do qual jamais vencerei.
Um inimigo operando o possível e o impossível contra a minha felicidade.
Assim, fadado ao esquecimento, vou vivendo minha vida.
Amando a tantos outros e outras. Vendo no olhar de cada criança a esperança em um futuro melhor.
Um tempo que não me julguem pela aparência.
Um tempo em que "amor", não seja mais sinônimo de "vergonha".
E que "amor" e "dor" sejam palavras improváveis em um mesmo verso.

quarta-feira, 2 de julho de 2014

O vento da mudança.

Cansado de alguma coisa que não sei identificar.
Imaginando como seria se me livrasse dessa tal coisa.
Talvez, poderia ser bom.
Talvez, poderia ser ruim.
Sem identificar este alvo, não posso saber se estaria me livrando de algo que me é de grande valor.
Minha vida permanecesse correndo à esma. Embora, devo confessar, as últimas notícias deveriam ser um catalizador de minhas emoções mais positivas.
Estou literalmente de malas prontas para me mudar para uma outra cidade em que terei que morar só, iniciar uma nova vida e trabalhar em algo que ainda é novo para mim.
Estas coisas não me são encaradas com estranhamento, mas com uma certa ansiedade desconcertante.
"O que farei?"
"Como devo agir?"
Além, claro, dos famigerados "e se?". Pensamentos decorrentes de uma ansiedade antecipatória frente a algo novo para alguém acostumado a levar uma vida de modo tão desinteressado.
Conhecerei pessoas novas?
A liberdade em morar só seria o ambiente propício para poder conhecer e me relacionar com outras pessoas. Mas estando num ambiente com tão poucos recursos culturais, possa não ser o melhor espaço para se assumir uma condição na qual seus moradores estejam, ainda, pouco acostumados.
E, porquê, estando medicalizado, ainda me sinto ruim às tardes e noites?
Seria pela despedida de um ambiente familiar e querido?
Seria a antecipação de uma situação adversa que conscientemente ainda não pude prever?
Ou talvez a angústia pela espera?
Eu, honestamente, não sei. Mas, em todo caso, continuo esperando.
Esperando atento a chance de novas e completas mudanças em minha vida.

segunda-feira, 2 de junho de 2014

Negação dos rótulos: Uma prática (também) cidadã.

Olá meus caros e inexistentes leitores.
Faz um bom tempo que não trago qualquer novidade relacionada à minha nada mole vida, não?
Estavam com saudades? - Pois espero que sim.
Nem me lembro bem sobre o quê conversamos na última vez mas, talvez estejam cientes que entrei num curso de especialização em políticas públicas promovida pela federal de Goiás.
Fiquem felizes de saber que após 18 meses de luta e persistência, concluí. E com honrarias.
Tive nota máxima com um prazo de 15 dias para a realização de monografia.
Passei em um concurso público pela Prefeitura de Cocalinho-MT.
Breve realizarei minha mudança. Por enquanto, apenas correndo atrás de documentações e exames.
Cocalinho é uma cidade que se localiza no limite dos estados de Goiás e Mato Grosso e possui 3.500 habitantes em perímetro urbano e outros 2.000 residentes na zona rural.
Localiza-se a 400km da capital de Goiás, portanto, ao menos uma vez ao mês estarei aqui.
Poderia estar feliz (como de fato estou) mas, há algo que não posso deixar em branco: Meus comportamentos e crenças mediante uma sociedade rural.
Um amigo, agora a pouco, me disse que tenho comportamentos afeminados.
Concordo que talvez eu seja afeminado, mas apenas em situações específicas. Beber e estar com amigos próximos sempre me deram liberdade para brincar e ser mais "expansivo" em meus comportamentos.
O problema não seria este se meu amigo não houvesse dito que estes comportamentos se expandem para o dia a dia.
Isto para mim é uma desgraça. Nunca gostei e creio que dificilmente irá gostar de homens com trejeitos femininos. Até então, para mim, ser homosseuxual nunca foi motivos para adotar uma postura menos máscula.
Saliento: Exceto em casos de Transvestismo e Transsexualismo.
Quando meu amigo me disse estas coisas, confesso que senti o chão se abrir e novamente uma nuvem negra colocou-se sobre minha cabeça.
"Serei mesmo tão afeminado?" - Penso.
Dias atrás, assistindo a um testemunho de conversão da Miss. Lana Holder em que testemuhava ter-se tornado ex-lésbica (sim, creio que Deus possa nos libertar da prática do comportamento gay).
Nunca fui dos maiores fãs do antigo testamento bíblico pois a partir da vinda de Cristo, tornou-se algo ultrapassado, com suas inúmeras e incansáveis regras de comportamento que por milhares de anos limita o pensamento judaico.
Neste sentido, a vinda de Cristo veio como uma reforma a este arcaico modo de vida para a entrega livre e gratuita da graça e salvação de Deus aos homens e mulheres. Ou seja, não somos mais salvos pelo merecimento, mas sim pela graça e misericórdia de Deus por nós.
Onde quero chegar?
Notei que não há registros de condenação à prática homossexual apenas no antigo testamento, mas também no novo testamento; após a vinda de Cristo.
É bastante complicado pois pensava antes que Deus, em sua infinita e incontestável misericórdia e amor por nossas vidas e almas, jamais lançaria mão daquele que carrega consigo, genuinamente, o amor.
Pois de todos as outras coisas, o novo testamento nos fala de amor. E sendo por amor que lançou seu próprio Filho aos inimigos para morte.
Mas Deus, além de amor, é também justiça. E todas as formas de agressão ao seu Espírito não serão perdoadas, uma vez que a Palavra nos coloca um Deus "8 ou 80", não havendo meio termo. Estamos com Deus ou não.
Atualmente essa Miss. Lana Holder confessou nunca ter abandonado seu desejo por mulheres e, infelizmente, para tentar "curar-se", recorreu até ao casamento e maternidade. Atualmente dirige uma igreja chamada Cidade do Refúgio e é adepta da denominada Teologia Inclusiva que, a meu ver, é o meio termo tão odiado por Deus.
Esta visão teológica aceita a crença do homossexualismo e levanta aspectos bíblicos para a fundamentação de sua visão.
Confesso que é algo que tem resgatado centenas de homossexuais ao cristianismo. A concepção de que Deus não é um ser arredio, manipulador, abusivo, castrador e vingativo. Antes, porém, dá-nos o sentimento de acolhimento, pertença e aceitação pela igreja e por Deus. - Estas coisas são louváveis e desejáveis à igreja moderna, tão deturpada, corrupta e sanguinária.
Resgatando o tema: Que isso tem a ver comigo?
Todas estas práticas são consideradas abomináveis à sociedade (com tradição cultura extremamente arraigada à concepção judaico-cristã). E, pasmem, mesmo aos homossexuais.
Para os homossexuais há o homossexual como a ideologização de um terceiro sexo. Mas um sexo que é, intrinsecamente limitado em sua forma.
Como assim?
Há uma valorização do homossexual heterossexualizado. Ou seja, no caso do homem, um homossexual que tenha o porte físico de semi-deuses gregos, exalando virilidade pelos seus músculos desenhados a kilos de shakes e batidas misturadas à toda sorte de produtos químicos e horas em uma academia (talvez seja esta a razão para tanta admiração social).
Enquanto ao homossexual afeminado, travesti, transsexual, negro, pardo, indígena, morador de periferia, baixa renda, gordo, magricela, ... ?
Atentem para o que digo: Homossexuais são invariavelmente seletivos. Muito mais seletivos que heterossexuais.
Deste modo, não há de se espantar qual foi o meu susto quando este amigo me disse que era afeminado. Como membro de uma sociedade, compartilho das mesmas crenças; o que é ridículo pois sou gordo, pardo, mau-remunerado e, agora, afeminado.
São tantos adjetivos pejorativos que eu mesmo me aponto, há ainda aqueles forçosamente e socialmente empregados tanto a mim, quanto a qualquer outro (mesmo a você, caro leitor).
Condições das quais afunilam cada vez mais as condições necessárias para pormos em práticas nosso sentimento mais puro: amor.
Seja físico ou espiritual quanto mais adjetivos, menores as chances de encontrarmos alguém que nos aceite e nos ame em nossa própria condição.
E, se sem amor é impossível viver, como poderíamos dizer que vivemos??











domingo, 7 de julho de 2013

Uma nova proposta de vida.

"E naquele instante, naquela tarde, seus olhos se voltaram aos meus. Podia ouvir em minha mente seu pedido. Cerrei os olhos e dei-lhe um longo e apaixonado beijo e, então, percebi o quanto eram lindos e eternos aqueles momentos formados pela cumplicidade de duas únicas almas que se encontram entre a multidão, e se amam."

O trecho acima é uma transcrição de minhas fantasias e desejos que, infelizmente, ainda não pude vivenciá-los.
Nunca pude de fato experimentar o que é o amor. Na verdade, talvez sequer saiba o que isto signifique. Não houve com quem compartilhá-lo, trocá-lo; embora em mim houvesse uma intenção genuína, além de que, sempre fui muito curioso a respeito das sensações humanas mais profundas. Poucas das quais consegui viver.
Meu repertório afetivo ainda é bastante escasso. E dou graças ao descaso.
Talvez o problema seja eu ou talvez seja, de fato, outros.
Em todo caso, a vida não soube valorizar pessoas sensíveis. Sempre vitimadas pela inconstância e efemeridade.
Sempre marginais. Ricas, mas solitárias.
Assim também sou.
E não encontro quem me alcance em meio a tantos estigmas.
Somos soterrados pelas ilusões, decepções e esperanças.
De que vale a pena viver se não há com quem compartilhar este amor?
Se não há quem nos lembre que também somos amados?
Pois já estou cansado de procurar, esperar, lutar por aqueles a quem nunca deram valor. Cansado de chorar e sangrar.
Sempre me reergo, mas também sempre caio novamente. E o cair é sempre o momento mais desesperador, principalmente quando estamos sós. Naquele lugar imundo, fétido e feridos, sem ninguém para nos sustentar com suas palavras, abraços e carícias.
Sem ninguém a quem apoiar a cabeça e poder imaginar todos os problemas se esvaindo.
Vivemos tempos que a indiferença tornou-se tamanha que, provavelmente, o leitor (raro!) me dirá quão tolas e inúteis são minhas palavras.
A estes, agradeço gentilmente pela leitura e digo que concordo plenamente. Sozinho contra toda a raça humana não poderia nada; e lamento muito que estas sejam nossas opiniões que demonstram apenas o quanto fomos contaminados com este modo de pensar.
Quando crianças, não tínhamos tais preocupações. Pensávamos em um mundo muito mais descomplicado e amigável. Fomos crescendo e adquirindo tantas noções do que seria o certo e o errado que perdemos a doçura, a ingenuidade e a fé infantil.
Assim sendo, pensemos que, diante tudo que nos foi ensinado, o certo nem sempre seja o correto, e o errado nem sempre seja algo a ser evitado.
Vejo agora o quanto uma criança pode ser forte, se desejar. Para nós, seus problemas são pouquíssimos e efêmeros, embora para si, aparentem uma desproporção tamanha. Da mesma forma, assim estes enxergam nossos problemas.
Não há em quem se apoiar, exceto em seus pais (enquanto a crianças em situação de rua? Órfãos? Em abrigos infantis? Que aprendem a respeito da vida como esta lhes é apresentada). Nós, por outro lado, somos sempre dependentes dos outros, e sofremos com a ausência do outro.
Precisamos todos de amor e sentimentos de união e pertença para que sejamos uma humanidade.
Assim: "A felicidade só é real quando partilhada" (Thoreau, D.)







sábado, 8 de dezembro de 2012

Obsoleto

Me tornei uma pessoa de hábitos, costumes e crenças obsoletos.
Sou retrógrado e cliché.
Não gosto das grandes multidões. Ainda prefiro a tranquilidade da companhia segura de meus amigos.
Tento sempre valorizar as pequenas coisas.
E levar adiante a bondade que me foi ensinada em berço.
Isso não é um mérito, é apenas educação.
Busco enxergar no humano, o que lhe há de humano.
E nestes dias, confesso, têm-se tornado cada vez mais difícil.
Na tranquilidade dos momentos em que estou só, reflito sobre minha vida.
Mesmo as pessoas que estão à minha volta.
E percebo que a cada dia parecem todas mais e mais vazias.
Perderam-se os toques, os sorrisos, a gentileza e humanidade.
Tornaram-se em esbarrões, descontentamento, esbravejo e desdém.
Não há mais o amor pela vida. Vive-se apenas.
Seus corpos são frios e buscam incessantemente algo ou alguém que os aqueça.
Mas, ainda assim, vivem.
Pisoteando-se mutuamente na busca daquele que se possa ser considerado mais forte.
Mas já é uma luta vencida.
Ainda pequeno, me diziam diferente.
E de fato me sentia diferente.
Havia diversos rótulos que me caracterizavam num modelo. - Todos estavam certos.
Eu era realmente todas aquelas coisas.
Adquiri o incrível dom de me tornar quem eu quizesse.
Quando cresci fiz minha escolha: Chamaram-me louco.
Decidi não ser ausente a quem está presente.
Decidi não negar um sorriso ou uma gentileza.
Decidi sentir o outro e me relacionar com a experiência deste outro.
Decidi, por fim, amar.
Não posso ser tão ignorante ao dizer que esta foi a escolha correta, visto que esta não seja a demanda para o mundo em que resido.
Mas decidi ser diferente.
Hoje eu estou só.
Triste e amargamente só.
Não há quem me ame e também se relacione com a experiência do meu ser.
Mas sigo sorrindo.
Incansavelmente sorrindo e monstrando ao mundo o que talvez jamais possa novamente entender.
Velhos hábitos, nunca morrem para alguns.
Para estes, deixo meu mais sincero abraço.
















terça-feira, 17 de julho de 2012

"Não! Não é nada não, mas é que..."

Hoje eu não estou bem.
O mais ridículo disso tudo? Eu não sei o porquê.
Hoje me vesti bem - coisa que normalmente não faço, já que fico sempre em casa -, saí, fui para a psicóloga, psiquiatra, retornei, estudei francês e, de repente, tristeza, solidão, TÉDIO.
É tão estranho ter que lidar com isso. Havia tempos que eu não sofria essa queda. Rss
Meu cigarro (para meu desespero) está acabando e só a ideia de ter que ir comprar outro já me deixa intimidado. Não gosto de ter que sair aqui na rua de casa, parece que todos estão me olhando, me apontando. Ai! Que sensação surreal.
Hoje na psicóloga ela pediu para que eu redigisse um texto com o título "Quem sou eu". Detesto ter que escrever coisas com temática idiota. - Embora saiba que isto é para um bem posterior.
Prefiro temas livres, que não prendam a capacidade do escritor. Que mostrem realmente aonde ele é capaz de nos levar, bem como nos tirar de lá. - Já fiquei preso no meio de uma trama e demorei um bom tempo para sair dela. Rss
Enfim, escrevi algumas coisas.
Música, Autoestima, Suicídio, Religião.
O resultado? Só semana que vem para saber.
Até lá? Uma longa espera, um longo vazio, um grande nada.
Minha vida tem sido isso.

You can try you're very best, but never seems to be good enough. Not to you, not to anyone else, and that's the the most sad thing about being live.
You can try be yourself, you can try do something new, or maybe have new friends. Nothing makes things different.
This is the hard work of living. This is my complaining, and also my fault.
No one can get that, no one can feels that. It's all in me, it's me.
I'm alone, and nobody would never love me. Nobody would never touch me or kiss me again.
I'm alone, 'cause I'm dead already.

segunda-feira, 25 de junho de 2012

Uma quase epopeia moderna

Estou em um mundo que não zela o só.
Sinto pena daquele que pensa sentir-se bem consigo próprio.
Não existe o conceito de felicidade quando estando só.
A felicidade só existe quando compartilhada.
E esta é a máxima da realidade humana.

Nascemos e somos catequizados a crermos na existência de alguém que nos livrará da ausência.
Quanta tolice!
Pensamos em tampas de panelas, sandálias velhas e outras tantas quinquilharias para parodiar estas situações.
No fundo brincamos com a própria constituição da existência à solitude.
Forjam-se em diversos parâmetros, cabendo todos em um pequeno cilindro a que chamam: Sociedade.

Façam de tudo para parecerem o mais normal e atrativo possível, pois todos estão à espreita.
Escutem as vozes vindas de uma caixinha acústica. Obedeça-a. Elas sabem mais do que qualquer outro ser humano.
Corra desesperadamente. Exercícios fazem bem. - Então corra.
Corra para o trabalho, corra para casa, corra para o cinema, corra dos assaltantes, corra da Receita Federal, corra para sua mãe e chore.
Emagreça...Afinal, se você está só, olhe para sua barriga e terá a resposta.
Corte os carboidratos, corte os lipídios, as vitaminas, ferro, fósforo e o pulso.
Escolha sua melhor roupa.
A cara. A marca, a grife, o glamour. Gucci, Cavalli, Fendi, Prada, Valentino...
Não coma, não beba, não viva senão para elas. Parcele em quantas vezes necessárias, mas tenha-as.

É! Talvez não vivamos em um mundo tão normal assim.
Mas, por fim, me pergunto: Sou eu, ou foi o mundo que enlouqueceu?
Minha única esperança foi a de encontrar a felicidade compartilhada sendo quem sou.
Agora posso dizer: Sinto pena de mim!
Seria ingratidão minha estar insatisfeito com a vida?
O que seria certo fazer nestas condições?
Forçar uma existência errônea? Delinquente? Aleijada?
Livrar-se de tal situação? Abominá-la? Tomá-la em liberdade?

São tantos atos e fatos.
Tantas ações e reações.
Estímulos inconsequentes.
Respostas intempestivas.
Já não sei mais quem poderia ter sido se não fosse o que sou.
Sei apenas o que não posso ser. - Uma constante negativa existencial.
Sei das minhas dores, sei dos efeitos de meus defeitos.

Sou uma brisa. Sem peso, aroma ou efeito.
Mas que mesmo assim, impossível seria viver sem esta.

Sou como o orvalho na matina.
Imperceptível à maioria, delicada e sem vida.
Mas que sobre delicada pétala, revive e dá o brilho a quem todos encantam.

Não sou nada. Sou ninguém.
Vagando rumo ao horizonte.
Perambulando em busca de conforto.

Sou a tristeza e a solidão
Sou a sanidade e a loucura
Sou o amor e a dor
Sou tudo e nada sou.





sábado, 2 de junho de 2012

1ª parada. PARIS

Me formei na faculdade e este foi um mérito único na minha vida. Após tantos problemas, tantas tentativas, tantas tentativas de desistência, pensamentos negativos, enfim... muitos coisas contrárias ocorreram à minha formação. Me formei com mérito. Um dos melhores alunos da turma, com um grande propósito de futuro, e mesmo a aprovação e consideração de todos os mestres e doutores que lecionaram para mim. Uma honra, não? Meu grande prêmio ainda estaria por vir, e eu não fazia ideia do que seria, sequer havia planejado. Mas Deus faz as coisas conforme a vontade d'Ele e não a nossa. Ganhamos eu e minha irmã (também formanda) uma viagem de um mês para a Europa. Esta viagem seria dalí a dois meses. Foi então dada a largada. Correria para fazermos passaportes, busca de albergue e residências para ficarmos nos países que visitaríamos, seguro de saúde e vida. Um monte de pequenas coisas que tomou todo este tempo. Primeira parada? PARIS. Confesso que estava descrente. Chegamos ao aeroporto e para mim foi algo extremamente normal. Não havia contado para ninguém que iria até que fosse certa a nossa ida, sempre tive medo de sair contando estas coisas e depois dar errado para depois ficar pagando carão para o povo. Rss - Bobeira apenas. Continuando... Saímos do aeroporto Charles de Gaulle e nem vimos de fato Paris, pois ficava bem afastado da cidade em si. Lá mesmo pegamos o metrô que nos levava à estação central da cidade, lá pegaríamos um outro que nos deixaria próximo ao albergue em que estávamos. Até então víamos apenas parisienses, suas conversas (em francês, obviamente) e achava aquilo curioso. O metrô, por ser subterrâneo, não tinha ideia ainda do que me esperava. Quando saímos da estação, que subimos aquelas escadinhas que nos levava à cidade em si, foi que minha ficha caiu. Eu estava em Paris. Aquela imagem que nunca irá sair de minha cabeça. Início de primavera. O céu estava fechado e caía uma chuvinha sorrateira. A meu ver, um típico clima europeu. Olhei ao redor e vi aqueles prédios pequenos de, no máximo, quatro andares cada. Suas arquiteturas maravilhosas. Sim, eu estava em Paris. Respirei fundo e expirei. Acendi um cigarro, pois estava a um dia sem fumar. Agora, onde estaria o albergue? Parei duas pessoas que estavam num ponto de ônibus e educadamente questionei se falavam inglês (tinha um pouco de receio, pois sabia a respeito de os franceses serem um pouco grosseiros), ao que confirmaram. E questionei onde ficava o tal albergue (sabia que era alí próximo), ao que me ensinaram. - Ao contrário do que dizem, os franceses são muito gentis. Basta não ser intrusivo. E outra, se vocês pedem para eles falarem inglês, é bom você também ser fluente em inglês, pois o sotaque deles é estranho e eles não tem muita paciência de ficar repetindo e fazendo mímicas para quem não os está entendendo. Enfim, ficamos no famoso bairro de Amelie Poulain, o bairro do famoso cabaré Moulin Rouge, da Basílica de Sacre-Coeur. Montmartre. Um bairro boêmio, mas muito lindo e acolhedor. Um típico bairro bem atrativo para a juventude parisiense (talvez junto com o Marais). Os dias foram seguindo naquele lugar maravilhoso. Nem sei descrever o que mais me encantou naquela cidade. Paris é realmente tudo o que dizem e um pouco mais. Uma cidade em plena primavera que ainda trazia o frio do inverno. Tudo é cultura, tudo é conhecimento, é diversão, é arte, é beleza. Não há nada ruim a se dizer daquela cidade. Seus museus, seus bosques repletos de tulipas, suas pontes, cafeterias onde charmosamente se colocam mesas na porta para nos sentarmos e tomarmos um expresso sendo suavemente aquecidos por luminárias nestes climas frios, boulevards entre tantos outros. A população em si é extremamente charmosa, saem pelas as elegantes, exibem seus celulares livremente sem medo de serem assaltados. É uma outra, paralela realidade. Transporte viável a todos, sem tumultos a qualquer horário do dia, havendo placas do ponto de partida e do ponto final, anunciando, ainda, o horário em que chegarao naquela plataforma e SEM ATRASOS. Um lugar onde, incrivelmente, as pessoas lêem nos metrôs. Estão sempre carregando livros de leitura pessoal. Param e sentam em qualquer banco, fazem seu lanche trago de casa (vê-se muito sanduíche natural e saladas)e assim continuam sua rotina. Um lugar onde fumantes e não fumantes são respeitados. Se você é fumante, você têm seu espaço e ninguém lhe faz cara feia. Se você é nao fumante, fumantes não estarão lá. - Até porque existem duras leis contra isto. Um lugar que, se você deixa um local alcoolizado, o responsável pelo estabelecimento tem que lhe restringir a chave de seu veículo e te chamar um táxi, pois e você sair do bar e cometer algum acidente, a responsabilidade recai sobre o gerente do estabelecimento onde você esteve. Até os banheiros públicos são diferentes. Cabines elegantes que informam se há pessoas dentro. Caso haja, peça que espere. Quando a pessoa que estava dentro sai, ela fecha automaticamente e começa a se autolavar para poder entrar outra pessoa. - Chique não? Um local onde, não importa o que aconteça, assim que se põe o pé na rua, os carros param para que você possa atravessá-la. Realmente, o pedestre é quem manda no trânsito francês. - Isso é cidadania em prática. E ninguém te chinga ou o ameaça por isso. Ou, quem sabe, talvez você possa subir no topo do Tour Montparnasse. Um único edifício situado em Paris (já que todos os outros edifícios não são altos, e isso é um triunfo francês, para conservação de sua arquitetura) com a altura de 58 andares, e seu topo é uma visão panorâmica da cidade. É um local completamente diferente. Paris respira consciência ecológica. Uma cidade que não vê necessidade de comprar verduras na feira ou supermercado quando elas podem simplesmente serem plantadas no seu quintal (e este comportamento é incentivado pelo governo). Parecem fazer questão de manter suas rotinas, seu clima, sua cultura intactas, sem intervenções estrangeiras. E eles tem muito sucesso nisso, aliás, o charme está nisso. Paris é a cidade dos sonhos. Os lugares que eu visitei (e recomendo) foram: - Musée du Louvre - Jardin des Tuileries - Pompidou (Marais) - Cemitério de Père-Lachaise (Onde estão enterrados Jim Morrison, Edith Piaf, Allan Kardec, Chopin, Augusto Comte, Oscar Wilde, ...) - Notre-Dame du Perpétuel Secours - Saint-German des-Prés - Avenida Champs-elysées - Arco do Triunfo - Torre Eiffel - Jardin du Trocadéro - Musée de l'Armée - Pont Alexandre III - Grand Palais - Petit Palais - Cathédrale Notre Dame de Paris (tem várias outras Notre Dame no país. Uma mais linda que a outra) - Cathedrale Sainte-Chapelle Que eu me lembro no momento, foi só. Rss Uma aventura e tanto para os primeiros sete dias, não? Após Paris, seguimos para o interior da França. Alugamos um carro e seguimos para a famosa região de Champagne, na França. Estradas perfeitas, trânsito impecável, vistas maravilhosas. E assim passamos por Épernay, Reims e Lille. Conhecemos um castelo (Chateau du Fère), a mansão de Chandom (o fabricante de champagne), a fábrica do Moët & Chandon. Conhecemos Notre Dame de Reims que, na minha opinião, é ainda mais bonita que a de Paris e de importância histórica ainda maior. Eram lá onde se coroavam os reis da França, antes ainda da França ser unificada. Uma pena dizer que em Lille, pouco andamos para conhecer, e conhecemos mesmo, só a estação da Eurostar que nos levaria para Londres. É muito curioso o interior da França. Algumas cidades são muito pequenas. Pequenas ao ponto de sair na rua e não se ver uma alma viva caminhando em plena quarta-feira. Ficam todos em casa. São cidades extremamente pacatas, que parecem levar suas vidinhas isoladas do resto do mundo. Suas casas não possuem muros, não possuem jardim frontais, nada! São coladas umas as outras e seus jardins ficam ao fundo (sei disso pois visitei uma casa de um amigo meu em Épernay), e se extendem para mais ao fundo ainda, além de fazerem divisa por uma cerca com a do visinho. Praticamente se vê tudo o que o visinho faz, bem como ele nos vê. Rss

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Nesta terra houveram palmeiras onde cantavam os sabiás. Esta terra que um dia tudo que se plantasse colhia, hoje está seca. Não há mais formosura em seus bosques. Não há alegria em seus hinos. Foram-se todas as coisas. Restaram apenas tristezas e lamúrias por dias vindouros que nunca virão. São suspiros amargurados, dores agonizantes e gritos de desespero. Porque continuas na esperança do amanhã se nem mesmo o sol brilha sobre nós? Porque permanecer atento a sinais de mudança se estão todos alheios? Andamos todos sobre o sangue que sai de nossas próprias artérias. Este sangue hoje irriga nossas plantações, alimenta-nos. Não venha me dizer sobre a acidez de tais palavras. Antes, porém, reconheça: Esta terra que pisas um dia viu alegria, viu cores. Viu o fortalecer revigorante de uma manhã. Sentiu a brisa tocar sua face misturado aos aromas inconfundíveis da liberdade. Foi-se o tempo da felicidade.

quarta-feira, 21 de março de 2012

Desatino borderline.

Não sei o que me acontece.
Sou duas caras, dois rascunhos, duas personalidades contrastantes.
Uma hora carinhoso, sedento de afeto.
Outra hora distante, seco, vazio.
Necessito desesperadamente de alguém que me ame e me queira, mas quando encontro, fujo.
Bom, parece que encontrei este alguém. A distância aumenta meu sentimento, alimenta minha fantasia. Quando os dias, as horas, minutos se aproximam para que eu o veja, sou tomado por um descaso completo, um sentimento alheio.
A maioria dos borderlines procuram desesperadamente alguém para terem para si. Bom, já passei por essa fase. Hoje, eu corro de ter alguém para mim.
Mas aconteceu de alguém vir ao meu encontro. Gostei da pessoa e estamos juntos a uma semana. Mas meus sentimentos sobre ela são TÃO contrastantes que hora gosto, hora me esquivo.
Não sei se uma esquiva ou se um MEDO de que algo aconteça. Algo bom aconteça.
Sou tomado pelas incertezas, pelas dúvidas.
Palavras ditas são motivos para questionamentos.
Os sorrisos e a felicidade do outro me ferem, pois sinto está-lo magoando, mesmo que ainda não saiba disso.
Afinal, sinto algo? Sou capaz de sentir por alguém?
Estou literalmente manipulando o outro. Meus pensamentos diz algo completamente diferente de meus sentimentos e ambos são muito fortes em mim, a ponto de seguir os dois.
Manipulo a afeição do outro, para que continue gostando de mim, mesmo sabendo que eu não gosto dele (ainda). Mas posso algum dia gostar, não???? - Este é o conflito.
Acho que sonhei demais, e agora não consigo mais viver. Desaprendi a viver.
Racionalizei demais o amor, passei a vivê-lo em minha mente ao invés de sentí-lo, hoje não sei mais o que é isso, e temo nunca mais saber.
Estou só, e não me entendo.
Estou sofrendo. Mas este sofrimento está anestesiado pelos medicamentos que estou tomando. Eu poderia estar muito pior.

domingo, 18 de dezembro de 2011

Saúde Mental e Felicidade


Sinceramente, só pode dizer quem é feliz quem já passou pela dor.
e a respeito de dor, essa nós reconhecemos e sabemos muito bem.
passei muitas fases, momentos críticos, ruins, terríveis em minha vida.
Atualmente, tomando meus medicamentos com zelo, posso dizer que estou em um período estável a uns 4 meses.
A princípio, nem eu me reconhecia nesta condição de estar tão bem comigo mesmo.
Não me reconhecia todas as vezes que ia a um bar e não sentia necessidade de beber compulsivamente para depois sair causando escândalo.
Não me reconhecia quando a tarde, ao invés de me sentir vazio e solitário, saía para a casa de um amigo.
Não me reconhecia quando me apaixonava por alguém e apenas desejava o bem para aquela pessoa, sem ter que possuí-la para mim.
Foram várias as circunstâncias e ocasiões que, a princípio, eu não mais sabia quem eu era e estava me tornando.
Mais adiante, no tempo, fui perceber que estava me tornando propriamente eu.
Não deixei algumas manias anteriores (embora já haja um bom tempo que não me corte), algumas excentricidades. Isso também sou eu.
Posso dizer que encontrei o meu eixo, o meu norte daquilo que sou. E digo, ele não é irreconhecível a nós, nós o conhecemos. É apenas algo difícil de se agarrar.
Ainda após um tempo, descobri também que nunca fui feliz e ainda não sou.
Embora não possa negar o fato que tenha vivido momentos felizes em minha vida.
Mas posso dizer que tenho a felicidade lado-a-lado comigo. - Porque não a teria?
Este último semestre me formei na faculdade, tenho planos futuros ao qual desejo buscar, tenho muitos amigos que amo e que também me amam (apesar de entrarmos em conflito às vezes), tenho pais que, embora imagino que possam não me entender, me amam e buscam me auxiliar do modo que lhes é cabível e o principal, tenho Deus na minha vida. - A isto não poderia se chamar felicidade?
O resto são apenas sonhos, fantasias, desejos.
Ser feliz é algo completamente diferente de estar feliz.
Felicidade é opcional e pode ser uma constante. No meu caso, foi apenas um reconhecimento das coisas mais simples.
Pode ter fim amanhã, mas enquanto isso, quero aproveitá-la ao máximo e fazê-la valer a pena.

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Meu corpo é quente, transpira incondicionalmente; mas minha alma é gelada e, como o gelo, queima.
Sim! Estou em dia com meus medicamentos, mas sinto que estes sequer fazem mais efeito sobre mim.
Sinto dó de mim, pena, e ao mesmo tempo, remorso.
Não vejo esperança, não vejo perspectiva para futuro e tudo parece tender a piorar. Suicídio realmente não definitivamente uma má ideia.
Porque devo afinal temer o inferno? - Sendo este afinal o único e exclusivo motivo que me prende a esta vida.
Tenho orado para Deus me arrancar este medo. - Que infeliz paradoxo.
Meu destino parece sombrio. Não quero ter que enfrentar todas as nuances desta vida.
Tenho medo do futuro, e não consigo viver sem pensar nele.
São caminhos escuros. Por mais que os planeje, esta seria apenas uma pequena vela que me guiaria na escuridão, mas a pequena chama de uma vela poderia facilmente cessar e abandonar-me quiçá no momento em que mais necessitasse de sua luz, seria da mesma forma o meu fim.
Tenho muitos lutos para elaborar nesta vida.
Não me refiro ao falecimento de entes queridos, me refiro ao término prematuro das coisas que comecei e não terminei nesta vida.
Tantas coisas com seu súbito fim tornaram-me, de certa forma, insensível. Talvez seja este o motivo de nem me recordar a última vez que derramei uma última lágrima.
Fui formado por estas consecutivas percas que foram aos poucos desfigurando meu ego.

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Acho que vou escrever para ver se melhoro.
A realidade é que neste momento estou vivenciando um momento bastante peculiar em minha vida.
Não um momento excepcional, um momento nunca antes vivido; mas como alguns devem saber, para o border isto não existe. Para o border, cada situação apesar de parecer igual, sempre contém uma certa particularidade diferente da anterior.
Desta vez, sinto aquela velha solidão de sempre. Aquela velha solidão repaginada.
Engraçado que diferente da maioria dos borderline, eu não consigo nunca me relacionar (isso só me reforça a ideia de que morrerei só - o que me assusta muito).
As minhas frustrações, as minhas cisões, raciocínio 8 ou 80, e toda aquela sintomatologia tão bem descrita em manuais estatísticos são vivenciados por mim de modo bastante diferente. São todos no campo das ideias.
Me deixe explicar melhor.
Neste manuais falam que os pacientes borderline entram em relacionamentos e nestes relacionamentos vivenciam todas estes sintomas...passam por todas estas coisas.
No meu caso, ao contrário, eu sequer consigo entrar em um relacionamento. Não consigo.
Sinto-me sempre tão inferior a todos que penso nunca encontrar alguém bom o bastante para mim. Fantasio relações. Sempre fantasio situações com pessoas das quais vejo nas ruas e me apaixono pelas situações que vivencio. Pessoa perfeita, vida perfeita, relacionamento perfeito.
Nunca existirá!
Quando volto à realidade, me sinto o lixo que sou, por saber que nunca serei bom o bastante para a pessoa para a qual idealizei esta vida. Entram as escarificações. As punições. Os ataques de fúria e pânico.
Me apaixono sempre por uma ideia, e é isto o que estou vivendo atualmente. Não estou conseguindo sair desta fantasia.
Todas os sintomas borderlines, são em mim ativados pelas minhas fantasias, e nunca pela minha vida real, pelos relacionamentos reais...já que estes não existem.
Quando surgia a oportunidade de estar em relacionamento, me desvencilhava, fugia.
Atualmente, tenho a nítida impressão que a pessoa não é tão boa o bastante para mim quanto a fantasia, apesar de não ser real, e apesar de esta também ser responsável por todas as minhas cicatrizes.
Estou ficando louco.
Preferindo viver na fantasia que na realidade, e eu não consigo controlar isto.
Dias atrás escorei na sacada e pular não pareceu ser uma má ideia. Pensei, relutei.
Tenho também sonhado com suicídio.
Todos os dias, a angústia parece nunca haver fim.

Outra faceta é a angústia de não saber o que sou.
Dizem-me ser uma coisa, mas nunca me sinto capaz.
Estou no final do curso e minha auto-cobrança é desesperadora.
Sinto uma pressão esmagadora e, ao mesmo tempo não consigo escapar disso.
Sou o que penso que sou, ou o que dizem.
Parece ser uma questão fácil de ser resolvida, mas na minha mente, existe um nó indecifrável.
Eu perdi essa noção de "eu" e não sei qual devo seguir, pois ela é central para a formação de mim-futuro.
Sou mesmo bom aluno?
Sou mesmo inteligente?
Parece que não existe meio termo. Tenho que ser completo para ser.
Porque sou assim?
Estas respostas não encontrei em terapia, em remédio, em mim, nem em Deus.
O que vai ser de mim?
Seria mais fácil desistir?
Mas e se amanhã melhorar?
Nunca se sabe.

domingo, 25 de setembro de 2011

Cansado de mim mesmo.
Cansado de ser quem sou, ou quem não sei. Preciso dissociar isto ainda.
Parecem todos estarem cansados de terem que me aguentar, de terem que me carregar.
Sinto novamente o vazio caracterológico com uma mistura de negativismo, apatia, tristeza.
Quero chorar.
Quero me matar.
Chego a um ponto que me olho no espelho e não sei o que vou enxergar, se uma pessoa linda e agradável, ou um amontoado de lixo.
Queria que as pessoas me entendessem, entendessem e pudessem também sentir minha dor; talvez desta forma me deixariam em paz, considerariam logo como caso perdido e me abandonariam.
Sei que este pensamento é ridículo, me torna menor que um animal..mas é tudo o que quero.
Hoje em especial. Sei que todos não se importam, mas paradoxalmente eu sinto que preciso acreditar que alguém ainda liga para isso tudo.
Começo a fantasiar coisas...me torno um psicótico.
De repente, quem eu gosto está olhando para outra pessoa.
De repente vejo flertes, vejo trocas de olhares, palavras sussurradas.
Ao mesmo tempo, de quem eu gosto, tem apenas 15 minutos que a conheço; de um modo estranho, amor para mim é instantâneo.
E que ódio isso me dá.
De repente, a figura boa do Lucíolo foge. Não existe mais o belo Lucíolo.
O Lucíolo provocativo, amigo, espontâneo.
Surge o Lucíolo podre, fétido. Um excremento.
Gordo...mto gordo. Feio. Arrependido.
Só estas três coisinhas. Mas suficientes para destruir com minha vida.
Três coisinhas decisivas, que me colocam entre tentar ou não me matar...novamente.
Sabem realmente como me sinto?
Como se houvessem espancado meu ego. Espancado minha personalidade.
Acho que quero dormir e nunca mais acordar.
Quero vegetar. Me anestesiar de mim.

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Se você ao menos soubesse o que me passa, reconheceria a dor enjaulada em mim.
Não alimentaria sonhos para depois destruí-los.
Não me chamaria de amigo quando precisava ouvir que me ama.
Se você ao menos se importasse, teria sequer conversado comigo.
Antes a rejeição de um "olá" que a rejeição dos sentimentos que agora carrego comigo.
Você não soube lidar com o que sou.
Não soube entender, não soube acolher.
Me abandonou com um simples "boa noite".
Covardemente disse-me as verdades que necessitava ouvir.
Verdades doloridas.
Agora estou só.
Joguei-me novamente em algo que não me daria a sustentação que necessitava.
Entreguei-me, ainda que brevemente, absolutamente e recebi apenas tua consolação.
Os sintomas de tua amizade que pensei ser a reciprocidade de toda a preocupação que tinha por você, todo o carinho, todo o amor que imediatamente senti quando o vi.
Me enganei novamente.
Dizia-me que deveria me livrar das máscaras que me envolvem para que outros pudessem me ver como realmente sou e, sem inibição, me entregar.
Soltei todas as máscaras, despi-me do que pensava não ser eu e recebi apenas o teu aplauso.
Prometeu-me o céu, mas nada me deu.
Finalmente, quando pude me esvaziar, o que pregava o amor tornou-se um discurso de amizade contrariando as próprias afirmações.
Retomo estas máscaras e me escondo novamente, uma vez que descoberto mostraria fraquezas demais para serem toleradas.
Retomo à minha solidão, à minha angústia contida, à minha silenciosa loucura.
Retomo ao ponto de partida esperando por próximos que possam cruzar meu caminho e fazer-me tão feliz quanto você havia dito que um dia seria contigo.