terça-feira, 25 de novembro de 2014

Esperança!

Acho graça o modo como os últimos anos foram determinantes para a melhora de uma condição psicopatológica que por outros longos anos anteriores tem me afligido.
Após uma pausa extensa nas atualizações desse blog que tentei sempre manter como uma válvula de escape a uma dor interna intensa, minha atual postagem denuncia que as coisas não tem ido tão bem em minha vida.
Diferente do que antes me ocorria, hoje sou uma pessoa estabilizada. Não sei se poderia falar em cura, uma vez que a ausência de meus remédios retomam em novas sucessivas crises.
Confesso que outros ensaios foram feitos, todos em momentos de crise. embora antes de que uma carta, solilóquio ou soneto encontrem uma última sílaba, meus sentimentos retornam a seu estado "normal" e todas as linhas escritas denuncia uma puerilidade da qual, mesmo para mim, soam como inverdades. São descartadas cada uma daquelas linhas, enxugadas todas as lágrimas e apagados os cigarros, companheiros em momentos tão mórbidos.
Mas me enganei por anos. Não estive bem por todos estes anos pois uma ferida interna, inatingível aos medicamentos, ainda sangram; um medo e preocupação por algo do qual jamais venha a ocorrer.
Sempre com um coração batendo descompassado. Sem um compasso, um ritmo que possa indicar a sonoridade de uma melodia.
Seria esta composição trágica?
A verdade me revela apenas a solidão do qual tenho vivido ao longo de 26 anos, sem jamais saber o que é amar ou ser amado por alguém.
Saí do caos das grande cidades que exalam uma grande variedade de odores, sons e luminosos.
Vim para o campo. Uma região inóspita pouco conhecida e explorada pelo homem civilizado (leia-se: sujeito metropolitano).
Uma região que tem sua própria rotina, com normas de convivência que trazem a noção de bem-comum perdido ao longo dos séculos.
Pensei e relutei na decisão pela minha mudança: Seria um local designado pelo destino?
Haveria alguma grande surpresa do qual o tempo venha a trazer?
Nunca pude antes vivenciar o amor de outras pessoas em regiões de grande densidade populacional, talvez esta chance estaria no interior. Mas foi um grande engano!
Deixei minha família e parti rumo a um futuro desconhecido tendo como bagagem a esperança.
Mas hoje eu me sinto só.
Hoje, na verdade, eu sou só.
Não tenho com quem desfrutar os louros de meu trabalho. Alguém para, ao fim do dia, poder reencontrar e descansar em seus braços. Alguém com quem dormir acompanhado. Alguém para abraçar e sentir seu coração bater junto ao meu. Alguém para olhar fundo nos olhos e ver seu próprio reflexo estampado. Alguém cujos olhos sorriem, cujos lábios beije e cuja mão apalpe.
Confesso um desejo que tenho por uma certa pessoa da qual conheci.
Uma certa pessoa da qual eu não vi.
Uma certa pessoa da qual, posso nunca ter.
Eu já deveria ter me acostumado com esta sensação.
Já deveria ser íntimo dessa dor.
Nunca fui o tipo de ator reservado para o final feliz.
Na obra da vida, eu sou o coadjuvante. Sempre o amigo de algum qualquer protagonista.
Aquele que igualmente sofre, mas abdica de seu final feliz pelos outros.
Confesso que já nem tenho rezado. Não acredito que Deus vá confiar a mim alguém para amar, visto que jamais poderia concordar com relações ditas na Bíblia como "vergonhosas".
Tenho em Deus um feroz e onipotente inimigo do qual jamais vencerei.
Um inimigo operando o possível e o impossível contra a minha felicidade.
Assim, fadado ao esquecimento, vou vivendo minha vida.
Amando a tantos outros e outras. Vendo no olhar de cada criança a esperança em um futuro melhor.
Um tempo que não me julguem pela aparência.
Um tempo em que "amor", não seja mais sinônimo de "vergonha".
E que "amor" e "dor" sejam palavras improváveis em um mesmo verso.

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