segunda-feira, 22 de junho de 2009

...continuação [parte IV]

O que ele queria me contar, ainda não sabia, embora, já tenha me causado um alvoroço que logo em seguida saberia ter sido desnecessário e, pelo contrário, seria o motivo de minha eterna felicidade.
- Bom, já estamos juntos a algum tempo e acho que nunca estive tão feliz em minha vida estando com outro cara.
- Acha? – imediatamente contra argumentei tentando dar um ar mais alegre àquele ambiente.
- Não! Nunca estive tão feliz antes. Tenho certeza. – E continuou: Você foi um homem que conheci tão de repente e logo já mexeu comigo.
Será que ele me diria aquilo que tanto esperava? Bom, pelo menos estando já lúcido e não sobre a influência de uma transa.
- Você é inteligente, tem um enorme carisma, é lindo e, por Deus, tem inúmeras outras qualidades. – Fiquei constrangido com tantos adjetivos. – Por isso eu quero te dizer que eu te amo.
Pronto! O que eu faria agora?
Bruno sempre soube como me constranger dizendo essas coisas, e foi neste instante que ele pegou minhas duas mãos e agarrou-as com suas mãos aproximando de seu rosto e beijando-as sobre a parte superior, logo em seguida as pôs contra seu peito e me beijando ardentemente.
Não havia muito tempo, pois tanto ele quanto eu estávamos apressados, onde ele iria para seu trabalho, e eu deveria voltar pra minha casa.
- Tem como eu vê-lo hoje? – Bruno me perguntou.
- Acho que não, pois minha mãe deve estar puta, já que dormi fora e estou até agora fora. – Neste momento, deveria ser quase meio-dia.
- Beleza, então eu te ligo. Não vou te perder, meu amor.
Aquilo foi como uma flecha no meu coração que ao mesmo tempo em que me alegrava, me deixava triste. Tanto procurei por um homem como ele e, justo no local e hora mais inusitado encontrei o meu príncipe. E chorei, chorei em seus braços.
- Ei, o que houve? – Ele perguntou com um tom quase triste por me ver daquela forma.
- Não sei! Sempre procurei o homem perfeito, e de repente, te encontrei. Você está me fazendo muito feliz. Também te amo muito.
- Não quero te ver chorar. – Ao dizer isso, me deu um forte abraço para que assim pudesse me consolar, e como me consolava.
Fomos cada um a nossos destinos na certeza de que nos veríamos novamente, na certeza de que nos amávamos.
Chegando em casa, minha mãe não parecia tão preocupada quanto das outras vezes em que dormira fora. Aquilo já era um alívio.
O resto do dia fiquei em meu quarto pensando e relembrando tudo aquilo, digerindo cada momento em que passei com ele; cada palavra dita, cada gesto, cada expressão.
Logo no início da noite meu celular toca e ouço aquela voz tão conhecida.
- E aí, está melhor?
- Muito melhor. Só estou com saudades, quero te ver de novo. – Respondi.
- Mas isso é muito fácil. Pode ser hoje? Quero te apresentar para uns amigos meus.
- Mas já? – Achei aquilo estranho, nunca havia namorado antes e pensava que se demorava um pouco para a pessoa logo ser assim apresentada ao círculo de convívio do outro.
- Sim! Falei de você para eles, o quanto você me fazia feliz, e eles estão doidos para conhecê-lo.
- Hoje? Pode ser. Minha mãe não ficou tão nervosa por eu ter demorado ontem, então acho que ela me libera hoje. – Logo respondi.
- Perfeito! Posso te pegar às dez?
- Sim! Vou te esperar.
Passei o meu endereço. Estava marcado, logo o veria novamente.
Às nove horas, já fui me arrumando para ficar pronto na hora marcada, quando recebo sua ligação dizendo que se atrasará um pouco. Tudo bem, essas coisas acontecem.
Eram quase onze quando o interfone toca. Era ele, só podia ser. Atendi e não havia errado. Desci até a portaria e o encontrei, lindo e sorridente acenando para mim. Fui em direção a ele e entramos em seu carro. Seguimos ao bar onde nos encontraríamos com seus amigos.
Era um bar hétero e de bastante movimento, onde as pessoas bebiam, comiam, conversavam e fumavam ao som de uma banda que propunha alegrar o ambiente.
- Amor, não fique nervoso, eles são super bacana e, se não se sentir a vontade, nós vamos embora.
Fiz um ligeiro sinal afirmativo com a cabeça e entramos naquele ambiente que ainda me era estranho. Era necessário um tempo até que eu me adaptasse.
E assim entramos, não de mãos dadas, pois não queríamos chamar toda a atenção para nós, mas como simples amigos aos olhos dos que nos viam.
E fomos adentrando, mesa após mesa, até finalmente pararmos diante três mesas colocadas uma ao lado da outra que tinha em si uns oito integrantes. Seus membros eram homens e mulheres lindos fisicamente e pareciam todos ser muito inteligentes e comunicativos.
Aquilo me deixou em defensiva, homens e mulheres lindos, altos e com um belo porte atlético.
Bruno, que nunca foi muito sutil, foi logo fazendo as apresentações começando um ritual de beijos e apertos de mão para que pudéssemos enfim sentar.
Passados algum tempo ( e alguns goles de cerveja), já estava conversando com todos, rindo e contando como havíamos nos conhecido. Todos pareciam estar muito interessados em tudo aquilo que dizia dando-me total atenção para que eu ficasse o mais confortável possível.
Deviam ser duas da manhã e o bar estava em seu clímax. Em especial, nossa mesa chamava a atenção por ser tão grande e formada por pessoas que arrancava a todos os olhares.
Será que não estaríamos chamando muito a atenção das pessoas daquele bar? Aquela altura, coberto pelos panos das mesas, Bruno estava de mãos dadas comigo e vez ou outra beijava-me o rosto, ou mesmo passava as mãos pelas minhas costas pousando seus braços sobre meus ombros.
Quatro horas da manhã, o bar começava a esvaziar. A banda já não tocava abrindo espaço para um som ambiente tocando bandas conhecidas e consagradas. Estava relaxado, não queria sair daquele lugar, estava com o meu amor e ao lado de agradabilíssimas pessoas, que já foram se tornando minhas amigas também.
Mas sempre há um porém, tudo estava muito feliz, algo deveria acontecer. Passando cambaleante, um rapaz já bêbado tropeçou em nossa mesa derramando toda a sua cerveja em meu tronco e colo. Um completo desastre.
E foi nesse momento, nessa mesma circunstâncias que Bruno, já ríspido, levantou-se e começou a brigar com o rapaz.
- Você não olha por onde anda não? – gritava Bruno.
- Relaxa, a mocinha aqui nem fez escândalo. – Respondeu o rapaz.
Congelei! Fiquei em choque e não sabia como reagir àquela ofensa.
Bruno foi me defender.
- O que? Você está bêbado. Peça desculpas agora.
- Não vou pedir desculpas pra este veadinho.
Vendo que a situação começara a ficar tensa, fui tentando acalmar o Bruno.
- Bruno, relaxa. Não me molhei tanto assim, e o rapaz ainda está bêbado, não vale a pena.
- Não, ele vai te pedir desculpas. – Disse Bruno.
O rapaz, que já ia dando as costas foi interrompido por Bruno que logo o agarrou pela gola da camisa. Estava armada a briga.
Eu não sabia o que fazer, puxava Bruno, mas como ele era mais forte do que eu, não consegui pará-lo. Por vezes batia no homem, em outras levava uns socos.
Os amigos de Bruno, coitados, estavam ainda mais perdidos que eu.
- Gente, ele sempre foi tão pacífico. – Dizia um.
As pessoas que ainda estavam lá, saíam aos poucos de perto evitando serem atingidas inocentemente.
Dois seguranças vieram e afastaram os dois que ainda lutavam, agora para sair dos braços dos seguranças e se engalfinharem novamente.
- Tudo isso pra defender essa bixinha. – Dizia o rapaz.
- Você respeite os outros, moleque. Você ainda nem pediu desculpas para ele. – Berrava Bruno.
Fui aos poucos, com bastante jeito que consegui acalmá-lo, mas aquele era o fim de nossa noite, com uns vermelhões no rosto de Bruno e o orgulho atingido.
Despedimo-nos e fomos embora.
Bom, no estado em que Bruno estava não podia deixá-lo sozinho.
Dentro do carro conversamos brevemente.
- O que foi aquilo? – Perguntei a Bruno.
- O menino te desrespeitou, não podia deixar que ele fizesse isso. Você é meu namorado agora e não vou permitir isso. – Respondeu.
Quando concluiu, Bruno pegou a palma minha mão e a beijou, num gesto sincero e apaixonado. Me rendi e fui logo beijando sua boca.
- Eu te amo, e não vou deixar que nada de ruim te aconteça. Vou te proteger. – Bruno disse.
Fomos para a casa dele, não estava preparado para ir para lá, mas naquele estado, agora era eu quem deveria cuidar dele.
Chegando em sua casa, peguei uma bolsa de gelo e a enchi com alguns cubos. Fui colocando em seu rosto e soprando cada um daqueles vermelhos, marcas de sua briga.
Ele que agora repousava sua cabeça em meu colo para que assim cuidasse dele, tinha seus olhos e atenção todos voltados para mim. E seus olhos não se desviavam.
- Dorme aqui comigo de novo?
- Claro! Já está perto de amanhecer, só não posso sair daqui tão tarde quanto ontem.
Ele puxou minha cabeça em direção a sua e beijou-me. Pus minha mão em seu abdômen e lá ficamos inertes, somente aproveitando aquele momento, o ambiente que era mágico, e meu homem que me amava acima de tudo.
Fomos para seu quarto, e lá dormimos. Desta vez não fizemos sexo, mas melhor, muito melhor, nos abraçamos e assim pegamos num lindo e profundo sono, onde eu tinha o meu homem nos meus braços, olhando para mim e dizendo que me amava mais do que todas as outras coisas. Como eu o amo!

3 comentários:

Lucas disse...

Realmente não conhecia esse seu lado escritor! Amei o blog como um todo...
Ansioso pelas novas postagens Sr. Lucíolo. :)

Somatizando a vida disse...

Meu público fiel.
hauihauahiuhaiu
curtição Lucas, mas que bom que esteja gostando!

Anônimo disse...

A primeira pergunta que me veio à cabeça era se tudo não passava de uma crônica ou de um testemunho, ser era ficção ou documentário, ou talvez uma mistura de alguém que oras quer viver numa fantasia, oras se delicia com a realidade...mas de toda forma, o português correto e a ambientação do local me fizeram continuar a ler.

O texto é muito bom, não que eu entenda de grandes textos e tenha passado muito tempo lendo os grandes e celebres escritores, mas para alguém que estar acostumado somente com livros técnicos algo novo realmente me fez bem.

A segunda pergunta que logo pensei era: - por que estou continuando a ler? Eu estaria gostando do garoto paciente e calmo (e talvez frágil) que precisa ser protegido ou do homem que tem necessidade de proteger? Qual a personagem (levando em consideração que tudo foi ficção) eu me identifiquei a ponto deixar meus trabalhos inacabados para escrever esse "pequeno" comentário? Qual a necessidade de escrever para alguém? Seria uma cantada barata daquelas que você finge ser algo que não é para transar com uma pessoa diferente, ou seria inveja de um dos personagens? Não sei se ia esperar a próxima terça para minha terapeuta ajudar a entender ou se simplesmente eu tentaria descobrir o que aconteceu.

Mas descobri....e não demorou muito.

Talvez foi o fato de eu ter escrito uma carta para um ex/atual ficante de 4 páginas, contando tudo que sentia e ter como resposta somente 4 linhas numa mensagem rápida do MSN, talvez eu me identifiquei com o homem que protege ao mesmo tempo em que preciso de alguém pra proteger, talvez o medo e fragilidade me encante, como uma obra de arte rara que você precise a todo custo afastar de poeira, da traças e das mãos alheias que insistem em destruir aquilo que é bonito. Talvez eu tenha gostado do escritor que num mesmo texto colocou juntas palavras como “amor” e “sexo”, ou talvez não, porque Arnaldo Jabour fez isso no texto “amor e sexo” e ainda assim nunca me motivei a escrevê-lo. De toda forma, o melhor é que me senti em casa, num ambiente que conheço e em situações que eu sei como é, essa seria a melhor resposta, entendo como as vezes nos sentimos um “peixe fora d´agua” e entendo mais ainda o fato de que, mesmo em ambiente inóspitos (confesso que precisei de muita inspiração para lembrar que essa palavra existia), precisamos ser fortes e proteger aquilo que amamos, admiramos e queremos ter por perto, porque um dia Rufus Wainwright disse: “a vida é um jogo, o verdadeiro amor é um troféu”, e quando ele aparece temos força pra lutar, enfrentar e proteger, que só realmente fazemos quando amamos.

E por fim, acabo pensando novamente: Seria uma cantada barata ou o problema seria Arnaldo Jabour ser heterossexual?

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