domingo, 18 de dezembro de 2011

Saúde Mental e Felicidade


Sinceramente, só pode dizer quem é feliz quem já passou pela dor.
e a respeito de dor, essa nós reconhecemos e sabemos muito bem.
passei muitas fases, momentos críticos, ruins, terríveis em minha vida.
Atualmente, tomando meus medicamentos com zelo, posso dizer que estou em um período estável a uns 4 meses.
A princípio, nem eu me reconhecia nesta condição de estar tão bem comigo mesmo.
Não me reconhecia todas as vezes que ia a um bar e não sentia necessidade de beber compulsivamente para depois sair causando escândalo.
Não me reconhecia quando a tarde, ao invés de me sentir vazio e solitário, saía para a casa de um amigo.
Não me reconhecia quando me apaixonava por alguém e apenas desejava o bem para aquela pessoa, sem ter que possuí-la para mim.
Foram várias as circunstâncias e ocasiões que, a princípio, eu não mais sabia quem eu era e estava me tornando.
Mais adiante, no tempo, fui perceber que estava me tornando propriamente eu.
Não deixei algumas manias anteriores (embora já haja um bom tempo que não me corte), algumas excentricidades. Isso também sou eu.
Posso dizer que encontrei o meu eixo, o meu norte daquilo que sou. E digo, ele não é irreconhecível a nós, nós o conhecemos. É apenas algo difícil de se agarrar.
Ainda após um tempo, descobri também que nunca fui feliz e ainda não sou.
Embora não possa negar o fato que tenha vivido momentos felizes em minha vida.
Mas posso dizer que tenho a felicidade lado-a-lado comigo. - Porque não a teria?
Este último semestre me formei na faculdade, tenho planos futuros ao qual desejo buscar, tenho muitos amigos que amo e que também me amam (apesar de entrarmos em conflito às vezes), tenho pais que, embora imagino que possam não me entender, me amam e buscam me auxiliar do modo que lhes é cabível e o principal, tenho Deus na minha vida. - A isto não poderia se chamar felicidade?
O resto são apenas sonhos, fantasias, desejos.
Ser feliz é algo completamente diferente de estar feliz.
Felicidade é opcional e pode ser uma constante. No meu caso, foi apenas um reconhecimento das coisas mais simples.
Pode ter fim amanhã, mas enquanto isso, quero aproveitá-la ao máximo e fazê-la valer a pena.

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Meu corpo é quente, transpira incondicionalmente; mas minha alma é gelada e, como o gelo, queima.
Sim! Estou em dia com meus medicamentos, mas sinto que estes sequer fazem mais efeito sobre mim.
Sinto dó de mim, pena, e ao mesmo tempo, remorso.
Não vejo esperança, não vejo perspectiva para futuro e tudo parece tender a piorar. Suicídio realmente não definitivamente uma má ideia.
Porque devo afinal temer o inferno? - Sendo este afinal o único e exclusivo motivo que me prende a esta vida.
Tenho orado para Deus me arrancar este medo. - Que infeliz paradoxo.
Meu destino parece sombrio. Não quero ter que enfrentar todas as nuances desta vida.
Tenho medo do futuro, e não consigo viver sem pensar nele.
São caminhos escuros. Por mais que os planeje, esta seria apenas uma pequena vela que me guiaria na escuridão, mas a pequena chama de uma vela poderia facilmente cessar e abandonar-me quiçá no momento em que mais necessitasse de sua luz, seria da mesma forma o meu fim.
Tenho muitos lutos para elaborar nesta vida.
Não me refiro ao falecimento de entes queridos, me refiro ao término prematuro das coisas que comecei e não terminei nesta vida.
Tantas coisas com seu súbito fim tornaram-me, de certa forma, insensível. Talvez seja este o motivo de nem me recordar a última vez que derramei uma última lágrima.
Fui formado por estas consecutivas percas que foram aos poucos desfigurando meu ego.

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Acho que vou escrever para ver se melhoro.
A realidade é que neste momento estou vivenciando um momento bastante peculiar em minha vida.
Não um momento excepcional, um momento nunca antes vivido; mas como alguns devem saber, para o border isto não existe. Para o border, cada situação apesar de parecer igual, sempre contém uma certa particularidade diferente da anterior.
Desta vez, sinto aquela velha solidão de sempre. Aquela velha solidão repaginada.
Engraçado que diferente da maioria dos borderline, eu não consigo nunca me relacionar (isso só me reforça a ideia de que morrerei só - o que me assusta muito).
As minhas frustrações, as minhas cisões, raciocínio 8 ou 80, e toda aquela sintomatologia tão bem descrita em manuais estatísticos são vivenciados por mim de modo bastante diferente. São todos no campo das ideias.
Me deixe explicar melhor.
Neste manuais falam que os pacientes borderline entram em relacionamentos e nestes relacionamentos vivenciam todas estes sintomas...passam por todas estas coisas.
No meu caso, ao contrário, eu sequer consigo entrar em um relacionamento. Não consigo.
Sinto-me sempre tão inferior a todos que penso nunca encontrar alguém bom o bastante para mim. Fantasio relações. Sempre fantasio situações com pessoas das quais vejo nas ruas e me apaixono pelas situações que vivencio. Pessoa perfeita, vida perfeita, relacionamento perfeito.
Nunca existirá!
Quando volto à realidade, me sinto o lixo que sou, por saber que nunca serei bom o bastante para a pessoa para a qual idealizei esta vida. Entram as escarificações. As punições. Os ataques de fúria e pânico.
Me apaixono sempre por uma ideia, e é isto o que estou vivendo atualmente. Não estou conseguindo sair desta fantasia.
Todas os sintomas borderlines, são em mim ativados pelas minhas fantasias, e nunca pela minha vida real, pelos relacionamentos reais...já que estes não existem.
Quando surgia a oportunidade de estar em relacionamento, me desvencilhava, fugia.
Atualmente, tenho a nítida impressão que a pessoa não é tão boa o bastante para mim quanto a fantasia, apesar de não ser real, e apesar de esta também ser responsável por todas as minhas cicatrizes.
Estou ficando louco.
Preferindo viver na fantasia que na realidade, e eu não consigo controlar isto.
Dias atrás escorei na sacada e pular não pareceu ser uma má ideia. Pensei, relutei.
Tenho também sonhado com suicídio.
Todos os dias, a angústia parece nunca haver fim.

Outra faceta é a angústia de não saber o que sou.
Dizem-me ser uma coisa, mas nunca me sinto capaz.
Estou no final do curso e minha auto-cobrança é desesperadora.
Sinto uma pressão esmagadora e, ao mesmo tempo não consigo escapar disso.
Sou o que penso que sou, ou o que dizem.
Parece ser uma questão fácil de ser resolvida, mas na minha mente, existe um nó indecifrável.
Eu perdi essa noção de "eu" e não sei qual devo seguir, pois ela é central para a formação de mim-futuro.
Sou mesmo bom aluno?
Sou mesmo inteligente?
Parece que não existe meio termo. Tenho que ser completo para ser.
Porque sou assim?
Estas respostas não encontrei em terapia, em remédio, em mim, nem em Deus.
O que vai ser de mim?
Seria mais fácil desistir?
Mas e se amanhã melhorar?
Nunca se sabe.

domingo, 25 de setembro de 2011

Cansado de mim mesmo.
Cansado de ser quem sou, ou quem não sei. Preciso dissociar isto ainda.
Parecem todos estarem cansados de terem que me aguentar, de terem que me carregar.
Sinto novamente o vazio caracterológico com uma mistura de negativismo, apatia, tristeza.
Quero chorar.
Quero me matar.
Chego a um ponto que me olho no espelho e não sei o que vou enxergar, se uma pessoa linda e agradável, ou um amontoado de lixo.
Queria que as pessoas me entendessem, entendessem e pudessem também sentir minha dor; talvez desta forma me deixariam em paz, considerariam logo como caso perdido e me abandonariam.
Sei que este pensamento é ridículo, me torna menor que um animal..mas é tudo o que quero.
Hoje em especial. Sei que todos não se importam, mas paradoxalmente eu sinto que preciso acreditar que alguém ainda liga para isso tudo.
Começo a fantasiar coisas...me torno um psicótico.
De repente, quem eu gosto está olhando para outra pessoa.
De repente vejo flertes, vejo trocas de olhares, palavras sussurradas.
Ao mesmo tempo, de quem eu gosto, tem apenas 15 minutos que a conheço; de um modo estranho, amor para mim é instantâneo.
E que ódio isso me dá.
De repente, a figura boa do Lucíolo foge. Não existe mais o belo Lucíolo.
O Lucíolo provocativo, amigo, espontâneo.
Surge o Lucíolo podre, fétido. Um excremento.
Gordo...mto gordo. Feio. Arrependido.
Só estas três coisinhas. Mas suficientes para destruir com minha vida.
Três coisinhas decisivas, que me colocam entre tentar ou não me matar...novamente.
Sabem realmente como me sinto?
Como se houvessem espancado meu ego. Espancado minha personalidade.
Acho que quero dormir e nunca mais acordar.
Quero vegetar. Me anestesiar de mim.

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Se você ao menos soubesse o que me passa, reconheceria a dor enjaulada em mim.
Não alimentaria sonhos para depois destruí-los.
Não me chamaria de amigo quando precisava ouvir que me ama.
Se você ao menos se importasse, teria sequer conversado comigo.
Antes a rejeição de um "olá" que a rejeição dos sentimentos que agora carrego comigo.
Você não soube lidar com o que sou.
Não soube entender, não soube acolher.
Me abandonou com um simples "boa noite".
Covardemente disse-me as verdades que necessitava ouvir.
Verdades doloridas.
Agora estou só.
Joguei-me novamente em algo que não me daria a sustentação que necessitava.
Entreguei-me, ainda que brevemente, absolutamente e recebi apenas tua consolação.
Os sintomas de tua amizade que pensei ser a reciprocidade de toda a preocupação que tinha por você, todo o carinho, todo o amor que imediatamente senti quando o vi.
Me enganei novamente.
Dizia-me que deveria me livrar das máscaras que me envolvem para que outros pudessem me ver como realmente sou e, sem inibição, me entregar.
Soltei todas as máscaras, despi-me do que pensava não ser eu e recebi apenas o teu aplauso.
Prometeu-me o céu, mas nada me deu.
Finalmente, quando pude me esvaziar, o que pregava o amor tornou-se um discurso de amizade contrariando as próprias afirmações.
Retomo estas máscaras e me escondo novamente, uma vez que descoberto mostraria fraquezas demais para serem toleradas.
Retomo à minha solidão, à minha angústia contida, à minha silenciosa loucura.
Retomo ao ponto de partida esperando por próximos que possam cruzar meu caminho e fazer-me tão feliz quanto você havia dito que um dia seria contigo.

quarta-feira, 27 de julho de 2011

ALTO BOA VISTA - MT

Pato Fu - Simplicidade.

Vai diminuindo a cidade
Vai aumentando a simpatia
Quanto menor a casinha
Mais sincero o bom dia

Mais mole a cama em que durmo
Mais duro o chão que eu piso
Tem água limpa na pia
Tem dente a mais no sorriso

Busquei felicidade
Encontrei foi Maria
Ela, pinga e farinha
E eu sentindo alegria

Café tá quente no fogo
Barriga não tá vazia
Quanto mais simplicidade
Melhor o nascer do dia

Ainda ontem repousei a cabeça sobre aquela janela fria de um ônibus.
Eram quase meia-noite e apesar de estar escuro, ainda visualizava a silhueta daquelas que tanto me conquistaram e ainda conquistam.
Mesmo para aquela pequena cidade que ainda pouco conheço, mas que posso já dizer fazer parte de um pedaço do meu coração.
Um pedacinho esquecido por muitos, ignorado por outros...tanto faz.
Uma cidadezinha corriqueira, com sua vidinha pacata mas que encontra sua magia em seus habitantes.
Como já diz a letra de Fernanda Takai, "Vai diminuindo a cidade, vai aumentando a simpatia".
Possa isso talvez ser aplicado a este pequeno município no interior do Mato Grosso.
Seus habitantes tão simpáticos que souberam pouco a pouco conquistar a qualquer um de seus viajantes.
E poderia ser diferente?
Tão pequena, mas tão intensa. Com suas histórias, com seus personagens particulares, com suas peculiaridades e o melhor, sua simplicidade.
Enquanto aos habitantes? Como poderia me esquecer destes?
Pessoas sinceras, cordiais. Há mais dentes em seus sorrisos, há sinceridade em seus olhares.

Preso naquele calabouço que me levaria de volta ao caos da cidade grande, pude repensar todas as experiências, todos os sentimentos que vivi naqueles últimos dias.
Festas inesquecíveis, assistir ao nascer do sol às margens de um rio, risadas na calçada em frente a uma padaria, conversas em uma tarde, roda de amigos em um bar numa noite, diversões corriqueiras, simplórias, pueris. Brincadeiras e momentos que realmente fazem a diferença.
Como esquecer?
Como interpretar?
Por mais difíceis que as coisas aparentam estarem, haverá sempre um vizinho com o qual poderemos nos refugiar, conversar, tomar um café quentinho feito na hora, e opcionalmente fumar um cigarrinho.
A simplicidade, o conforto é o que marcam este povo. A simplicidade e o conforto deste povo foi o que me marcou.
Amigos fiéis, muitos conhecidos que mal se comparariam aqueles de minha terra natal.
Não há ciúme, não há inveja.
Podem haver fofocas e discussões, mas poderia pequenos detalhes destruir a riqueza de uma região?
Por mais difíceis e tortuosos possam parecer os tempos para uma pessoa, haverá sempre a esperança, o conforto de um irmão que saberá apaziguar qualquer coração aflito. E quantos destes irmãos não me cativaram?
Reconhecer que mesmo a distância e a saudade - irmãs siamesas vorazes - poderiam jamais nos afastar; poderiam jamais diminuir este sentimento tão intenso; poderiam jamais arrancar as vivências que tivemos; poderiam jamais arruinar o bom convívio de seus habitantes.
Não há tempo ruim além do que passamos no momento da despedida.
Não há momento melhor além daquele em que nos revemos, conhecemos o outro e desvendamos este outro, nos identificamos.
"Quanto mais simplicidade, melhor o nascer do dia", e como são belas suas manhãs.
Suas lanchonetes e seus bares abertos ao fim do dia. Seus proprietários se sentam à nossa mesa e desfrutam de uma agradável conversa que toma os mais diversos rumos.
Como comparar?
Por mais atrativa que pareçam ser as grandes cidades, por mais convidativas possam parecer suas luzes, nenhuma se compara à tranquilidade, às amizades, à simplicidade encontrada nas pequenas cidades.
Hum...Voltando para minha terra, ainda naquele ambiente frio, em uma noite de terça-feira.
Não haviam mais silhuetas conhecidas, agora eram apenas lembranças de um tempo que se foi, mas que com certeza, ainda haverá.
Há apenas lágrimas de despedida, Lamento pelos infortúnios e Sorrisos pelos bons momentos.
Foi maravilhoso!
Foi mágico!
Agradeço a todos os que contribuíram por estes momentos.

Dedicado este teste a: Rhanna e toda a família Milhomem, Cássia, Ludmila Taverny, Michelly, Márcia, Joab (ei! porque não? Rss), todos os outros que mesmo sem me conhecerem, que por uma simples troca de olhares tenham sido generosos o suficiente para adquirirem minha atenção e me recepcinado com uma saudação cordial.


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