terça-feira, 29 de setembro de 2009

Devaneios.

Os dias tem se passado, e não consigo controlar meu tempo.
Pensamentos vem e se vão.
Sentimentos que se misturam e se confundem.
Tenho estado um caos emocional. Estou um caco!
Deus me ajude a superar isto, pois já não estou aguentando mais.
Tenho pensado tanto em você (protagonista de minha vida), que já nem sei mais o que fazer.
Antes, tínhamos um contato tão intenso, algo que ardia dentro de mim (apesar de tão prematuro), e simplesmente você se foi.
Não disse aonde ia, ou se voltaria, sequer se despediu.
Deveria ter adivinhado, suas respostas que antes eram tão apaixonadas, foram se tornando secas e desconexas.
Eu queria (e quero) mais. Mas não se pode querer só. Deve ser recíproco e intenso.
A primeira vez que o vi, sabia que ali estaria um pretendente em potencial.
E mesmo a forma como ficamos juntos naquela noite, como você me beijava, me acariciava.
Sinto-me inseguro de dizer que o amo. Afinal, nem sei o que é isso.
Mas algo posso afirmar: Você foi único, foi especial à sua maneira.
Adorava a tudo o que fazia, a tudo o que falava em suas mensagens.
O que fiz para merece-lo?
O que fiz para perde-lo?
Não sei o que fazer para conquistá-lo novamente, se é que tenho chances.
Seu rosto ainda ronda meus pensamentos e mesmo sua imagem desnuda preenche os meus sonhos.
Escrevo textos para tentar suprimir, afogar esta outra frustração que a vida me traz.
Outra frustração, outra mágoa, outra dor.
Será que serei sempre só?
Será que a vida não me reserva nada de bom?

(29/09/2009) - Ainda estou vivo, e isto é o que importa, estou ganhando esta batalha pela minha vida.
Sinto-me muito estranho, parece que minha vida está do avesso.
Tenho ciclado de forma incrivelmente rápida.
Vivencio uma euforia extrema e logo após afundo-me numa depressão que parece não haver fim.
Não estou conseguindo mais suportar isso. Tem sido muito complicado.
Todas as pessoas a minha volta com as mesmas perguntas: "Você está bem?"
Ou mesmo com suas argumentações tão insosas: "Não fica assim não."
Admirável o fato de se preocuparem comigo, mas me deixem só quando perceberem que estou me sentindo abatido.
Eu recorrerei quando necessitar.
Hoje em especial vivenciei algo que me deixou extremamente abatido.
Estava na sala, quando fiz uma argumentação. Me senti ridículo por aquela argumentação, não sei o porque, e irei-me.
Saí da sala quase que passando por cima de quem se arriscasse a ficar em minha frente, fui para a entrada e fiquei fumando.
Fumei um, dois, três, ...nove cigarros. Contínuos.
Estava me sentindo terrível. Fiquei com medo de enlouquecer, olhava para as outras pessoas e as percebia olhando para mim. O que pensavam?
Estava retraído e sentia um enorme medo de me levantar do que lugar que me assentava.
Sentia como se as pessoas quizessem me ferir, ou algo do gênero.
Aquela tremenda angústia por estar lá sentado em frente a tantas pessoas e o medo de sair de lá. O que faria?
Uma apatia, um desejo de somente dormir e nunca mais acordar.
Achava que estara louco, ou que ficaria louco. Sentia estar a um passo de perder o controle de tudo e sair dali gritando numa crise de pânico, ou sei lá o que.

Mas antes, bem antes, há muito tempo que tenho tido problemas para dormir.
Sinto sono, mas não consigo dormir, me reviro na cama, balanço braços e pernas numa sincronia maldita, desenho no ar formatos de coisas que só existem na minha cabeça e creio estarem tomando formas.
Quando me inspiro, ainda me levanto, vou ao caderno e escrevo algum texto com o medo de quando acordar esquece-lo.
Não dói, mas sofro com isso, de manhã sinto-me extremamente cansado e só faço dormir.

Dias atrás vi uma pílula de rivotril que estava em cima da cama (minha mãe é quem as toma), e a engoli. O que poderia fazer? -pensei.
O dia inteiro fiquei como que zumbi, meus membros estavam mole, minhas pálpebras pesavam, mas não dormi, apenas deu um sossega.
Quando o efeito passou, comecei a soar copiosamente. Como soava. Uma onda de euforia começava a me invadir
Minha cabeça rodava com um milhão de pensamentos, minhas mãos ficavam inquietas como num tique incessante, parecia que não teria fim.
Entrei na internet e conversava com meus amigos com uma voracidade, teclava numa velocidade monstruosa. O teclado quase quebrava tamanha força que impunha sobre estes.
Conversava com meus pais ininterruptamente, e pouco a pouco fui me controlando.
Novamente, sentia que iria perder o controle; que estaria pronto a sair por aí tirando a roupa e gritando para os outros uma novidade que sequer existia, uma festa que não haveria, uma alegria falsa.
Estes tem sido os meus dias..incansáveis.
Minha consulta com a psiquiatra será na sexta.
Queria que fosse agora, pois está difícil aguentar esta barra. Parece ser tolo para muitos, mas experimente viver esta corrente emocional dia após dia, sem saber como você estará daqui 5 minutos.
Sendo uma constante bomba relógio prestes a explodir e matar a todos em sua volta.
Deus me ajude! Só pelas minhas forças, não consigo.
Deus nos abençoe.

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Holy shit!

Please.. Just leave me alone.
And do not bother me.
Your presence piss me off.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Insights

Estou cansado, muito cansado de ser quem sou.
Cansado das mesmas pessoas a minha volta.
Cansado de procurar por alguém e nunca encontrar, ou ser encontrado.
Cansado dessa vidinha "meia-boca".
De um curso na faculdade que não me promete um futuro próspero.
Cansado de viver uma vida que nem sei se é minha mais.
Sinto-me como se fosse outro, algo que a muito desconheço.
Já tentei ser feliz de diversas formas, mas nunca alcancei a felicidade que procuro.
Nunca alcancei o amor que dizem existir.
Nunca alcancei meus sonhos.
Nunca sonhei outros sonhos e, talvez por isso seja assim, tão só.
Quero apenas me embriagar neste sentimento, nesta solidão.
Pois minhas esperanças se vão.
Quero apenas dormir neste momento, e morrer!
Quero sair de mim.

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

>>>PAUSA<<<

>>>Estou cansado!<<<
No momento resolvi dar um tempo a este conto.
Procuro por algo maior e concreto e sei que levando esta fantasia adiante, não encontrarei o que busco.
Tenho vivido dias de Jó. Mas também reconheço que nada nesta vida é eterno, e meu oásis chegará.
Quero viver intensamente, quero experimentar coisas novas, quero sorrir das pequenas coisas e apreciar minha vida como uma dádiva.
Quero amar intensamente.
Não peço muito, peço compreensão.
Ah! Nestes últimos dias, olhei para o céu e vi a imensidão azul. Enevoado e triste.
O que fazer para mudar este ciclo vicioso da qual despenquei?
Todos os dias, uma rotina;
Toda rotina, seu tédio;
De todo tédio, uma nova e estranha lamúria.
E chorei...chorei pela desesperança que invade meu coração e me torna um alvo tão vulnerável às flechadas da qual sou vítima.
Se entendessem estas associações, talvez não me perguntassem se estou bem, se estou feliz, ou quiçá vivo.

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

...continuação [parte V]

Dormi.
Descansei.
Acordei em sobressalto. Eram dez horas da manhã. Dormira pouco, mas já devia ir embora. Bruno ainda dormia. Como me despedir?
Achei melhor não acordá-lo, escrevi um pequeno bilhete lamentando não poder esperar que ele acordasse e, claro, terminava o bilhete com um simples e sincero “Te amo”; e o coloquei sobre a cabeceira de sua cama.
Peguei o ônibus e fiz meu caminho de volta à minha casa.
Ao que cheguei em casa, minha mãe já me esperava. Sabia que eu não tinha dormido em casa e sequer havia dado notícias, ela estava muito preocupada. Disse que havia dormido na casa de um amigo.
Bom, com um grande custo ela me perdôo por este deslize, mas sobre juramento de não repeti-lo novamente, respondi afirmativamente.
Neste dia, Bruno me ligou. Parecia mal e, respondeu apenas ser conseqüência de uma indesejada ressaca moral. Naquele dia não saímos, trocamos somente estas poucas palavras por telefone, e assim foi nos dias seguintes.
Telefonemas, algumas outras declarações. Há uma semana não nos víamos.
O tempo se arrastava naquelas férias e, logo começariam novamente minhas aulas. Enquanto a Bruno? Será que ainda se lembrava de meu rosto? Afinal, a quanto tempo não nos víamos?
Faltava uma semana para o início de minhas aulas, a ansiedade tomava conta de mim. Bruno vez ou outra me ligava, dizia estar com saudades, mas que estava muito ocupado e não podia estar saindo muito, saía do trabalho sempre muito cansado.
Mas foi naquele final de semana daquela última semana de férias que nos vimos. Marcamos outro encontro em um restaurante daqui de Goiânia, ele me pegou em casa e seguimos. As ruas passavam. As luzes da noite, já acesas, inundavam o veículo formando um tipo de caleidoscópio, estando às vezes escuro e às vezes claro, na medida em que passávamos pelos postes públicos de iluminação.
Chegamos.
Era um lugar extremamente formal onde se especializavam em vinhos e frutos do mar. Não estava acostumado àquilo.
Mal havíamos trocado palavras, o ambiente parecia desconfortável, e creio que não fui o único que achei isso.
- Bruno, está acontecendo alguma coisa? Você quase não falou comigo. – Questionei.
- Não! Estou muito bem. – Respondeu.
- Sabe, eu estava com muitas saudades de você. Havia muito tempo que não nos víamos. Se o visse na rua, capaz que não o reconheceria mais. – Brinquei.
- Nossa! Não tem tanto tempo assim não. – Bruno riu. – Mas, eu também estava com muitas saudades de você. O problema é que estava muito ocupado com o serviço e mal tinha tempo pra mim mesmo.
- Segunda-feira começa minhas aulas. – Afirmei. Mas isto era somente como uma última alternativa de tentar puxar assunto.
- Ah! Que bom. Vou querer conhecer os seus amigos também. – Respondeu Bruno. – A propósito, meus amigos adoraram você, capaz que me batem se eu terminar com você.
Sorri. Ainda bem que havia causado tão boa impressão, era isso o que eu esperava, mas de modo bastante natural, sem forçar uma personalidade que sei não possuir.
- Puxa! Não imaginei que eles fossem gostar tanto de mim. Também adorei os teus amigos, são todos muito bacanas.
Terminamos o jantar e já fomos pensando no que faríamos.
Andamos pela cidade e paramos na porta de uma boate.
- Quer entrar? – Perguntou Bruno.
- Você que sabe, estou te acompanhando.
- Não! Você está comigo. – Argumentou Bruno.
Adorei ouvir aquilo. Eu estava com ele, naquele carro estávamos a sós e, mesmo no meio de uma multidão, ainda estaríamos somente um com o outro. Somente a presença dele bastava.
Entramos e já fomos ofuscados por luzes estroboscópicas e tantos outros flashes e canhões de luz, ou mesmo pela fumaça característica destes ambientes. Naquela noite, tocava house music, um gênero que particularmente gosto, e dançamos ao som da música.
Por ser uma boate hétero, eu e Bruno evitávamos nos aproximar muito para evitar olhares ou mesmo implicações como já havia ocorrido antes.
Dançávamos e mal víamos a hora passar. Inúmeras garotas nos encaravam, pareciam estar interessadas em nós, coisa da qual não dávamos a menor bola e ainda ríamos da situação, mal sabiam estas coitadas que estávamos juntos.
Música após música, cerveja após cerveja; fomos cedendo ao cansaço e não demorou muito, já estávamos saindo.
Entramos no carro e a primeira coisa que fizemos foi nos beijar. Um beijo de saudade. Como pudemos ficar tanto tempo distante um do outro?
Beijávamos e nos abraçávamos. Dali iríamos para sua casa, ou pensava que iríamos.
Seguimos. Cruzando ruas, subindo ladeiras, até chegarmos à porta de um motel, eu desconcertei, nunca havia entrado em um antes, olhei para ele que somente ria abafadamente da situação.
Bruno pediu um quarto especial. O que seria um quarto especial?
Quando entramos no quarto especial, percebi o porquê de ser especial.
Cama redonda, vidro no teto (típico), televisão em LCD, jacuzzi e mesmo um mini salão com uma música ambiente.
Sobre a cama, estava um lençol de seda na cor pérola, um conjunto de almofadas muito bem posicionadas na cabeceira da cama e pétalas de rosas vermelhas espalhadas sobre a cama.
- Meu Deus! – Fiquei imóvel.
- Isso é só pra você. – Disse Bruno. – Quer tomar um banho? – Completou.
- Claro, vamos.
E entramos naquela banheira maravilhosa e espumante onde logo nos posicionamos, um sentado à frente do outro colocando seu peito contra minhas costas, e seus braços e pernas fazendo toda a circunferência do meu corpo.
Abraçava-me. Beijava-me. Dizia tantas coisas nos meus ouvidos que a grande maioria destas, eu ainda não conseguia assimilar. Eram inúmeras as informações sensoriais que estavam me acometendo naquele momento: A água quente que molhava nossos corpos, a espuma que graciosamente encostava-se em nossos troncos dando uma sensação quase excitante e, muito além, as mãos do Bruno que passeavam pelo meu corpo dançando desde minha cabeça, descendo e descendo, ou mesmo sua língua que pousava em meu pescoço e boca.
Aquele momento deveria ser eterno. Em menos de dois dias, minhas aulas começariam e a rotina dominaria minha vida. Não poderia deixar isto acontecer, fiz daquele momento eterno.
- Você é muito lindo! – Exclamou Bruno.
Sempre que me fazia estas afirmações, ficava sempre sem graça e encontrava resposta para tal em um beijo. E o beijei como um sinal de obrigado.
- Sabe, fico pensando se você sente por mim o mesmo que sinto por você. – Bruno perguntou.
- Porque você está me perguntando isso? – Fiquei sem entender o motivo de tal pergunta.
- Você sabe. Eu gosto muito de você. Lucíolo, eu te amo, mas e você? Me ama do jeito que eu te amo? – Fiz uma pausa. Fiquei mudo com esta pergunta que ele fez, não sabia o que responder. Amo-o, mas nunca fui de expressar sentimentos, sempre tive problemas com isso. – Estou te deixando muito sem graça? – Bruno terminou sua pergunta.
Ri e somente afirmei.
Ele se levantou da banheira, pegou sua toalha e cobriu seu corpo. Quando terminou, estendeu a mão para mim, que assistia a tudo, chamou-me para irmos para a cama.
Levantei-me e ele, prontamente já com uma toalha na mão secava-me. Me enrolei nesta toalha e quase que prontamente seguimos para a cama estando Bruno atrás de mim segurando meus ombros com suas mãos fazendo uma suave massagem.
Deitei, e logo por cima veio Bruno abraçando-me, beijando-me. Assim nos reconhecíamos, nos completávamos.

segunda-feira, 22 de junho de 2009

...continuação [parte IV]

O que ele queria me contar, ainda não sabia, embora, já tenha me causado um alvoroço que logo em seguida saberia ter sido desnecessário e, pelo contrário, seria o motivo de minha eterna felicidade.
- Bom, já estamos juntos a algum tempo e acho que nunca estive tão feliz em minha vida estando com outro cara.
- Acha? – imediatamente contra argumentei tentando dar um ar mais alegre àquele ambiente.
- Não! Nunca estive tão feliz antes. Tenho certeza. – E continuou: Você foi um homem que conheci tão de repente e logo já mexeu comigo.
Será que ele me diria aquilo que tanto esperava? Bom, pelo menos estando já lúcido e não sobre a influência de uma transa.
- Você é inteligente, tem um enorme carisma, é lindo e, por Deus, tem inúmeras outras qualidades. – Fiquei constrangido com tantos adjetivos. – Por isso eu quero te dizer que eu te amo.
Pronto! O que eu faria agora?
Bruno sempre soube como me constranger dizendo essas coisas, e foi neste instante que ele pegou minhas duas mãos e agarrou-as com suas mãos aproximando de seu rosto e beijando-as sobre a parte superior, logo em seguida as pôs contra seu peito e me beijando ardentemente.
Não havia muito tempo, pois tanto ele quanto eu estávamos apressados, onde ele iria para seu trabalho, e eu deveria voltar pra minha casa.
- Tem como eu vê-lo hoje? – Bruno me perguntou.
- Acho que não, pois minha mãe deve estar puta, já que dormi fora e estou até agora fora. – Neste momento, deveria ser quase meio-dia.
- Beleza, então eu te ligo. Não vou te perder, meu amor.
Aquilo foi como uma flecha no meu coração que ao mesmo tempo em que me alegrava, me deixava triste. Tanto procurei por um homem como ele e, justo no local e hora mais inusitado encontrei o meu príncipe. E chorei, chorei em seus braços.
- Ei, o que houve? – Ele perguntou com um tom quase triste por me ver daquela forma.
- Não sei! Sempre procurei o homem perfeito, e de repente, te encontrei. Você está me fazendo muito feliz. Também te amo muito.
- Não quero te ver chorar. – Ao dizer isso, me deu um forte abraço para que assim pudesse me consolar, e como me consolava.
Fomos cada um a nossos destinos na certeza de que nos veríamos novamente, na certeza de que nos amávamos.
Chegando em casa, minha mãe não parecia tão preocupada quanto das outras vezes em que dormira fora. Aquilo já era um alívio.
O resto do dia fiquei em meu quarto pensando e relembrando tudo aquilo, digerindo cada momento em que passei com ele; cada palavra dita, cada gesto, cada expressão.
Logo no início da noite meu celular toca e ouço aquela voz tão conhecida.
- E aí, está melhor?
- Muito melhor. Só estou com saudades, quero te ver de novo. – Respondi.
- Mas isso é muito fácil. Pode ser hoje? Quero te apresentar para uns amigos meus.
- Mas já? – Achei aquilo estranho, nunca havia namorado antes e pensava que se demorava um pouco para a pessoa logo ser assim apresentada ao círculo de convívio do outro.
- Sim! Falei de você para eles, o quanto você me fazia feliz, e eles estão doidos para conhecê-lo.
- Hoje? Pode ser. Minha mãe não ficou tão nervosa por eu ter demorado ontem, então acho que ela me libera hoje. – Logo respondi.
- Perfeito! Posso te pegar às dez?
- Sim! Vou te esperar.
Passei o meu endereço. Estava marcado, logo o veria novamente.
Às nove horas, já fui me arrumando para ficar pronto na hora marcada, quando recebo sua ligação dizendo que se atrasará um pouco. Tudo bem, essas coisas acontecem.
Eram quase onze quando o interfone toca. Era ele, só podia ser. Atendi e não havia errado. Desci até a portaria e o encontrei, lindo e sorridente acenando para mim. Fui em direção a ele e entramos em seu carro. Seguimos ao bar onde nos encontraríamos com seus amigos.
Era um bar hétero e de bastante movimento, onde as pessoas bebiam, comiam, conversavam e fumavam ao som de uma banda que propunha alegrar o ambiente.
- Amor, não fique nervoso, eles são super bacana e, se não se sentir a vontade, nós vamos embora.
Fiz um ligeiro sinal afirmativo com a cabeça e entramos naquele ambiente que ainda me era estranho. Era necessário um tempo até que eu me adaptasse.
E assim entramos, não de mãos dadas, pois não queríamos chamar toda a atenção para nós, mas como simples amigos aos olhos dos que nos viam.
E fomos adentrando, mesa após mesa, até finalmente pararmos diante três mesas colocadas uma ao lado da outra que tinha em si uns oito integrantes. Seus membros eram homens e mulheres lindos fisicamente e pareciam todos ser muito inteligentes e comunicativos.
Aquilo me deixou em defensiva, homens e mulheres lindos, altos e com um belo porte atlético.
Bruno, que nunca foi muito sutil, foi logo fazendo as apresentações começando um ritual de beijos e apertos de mão para que pudéssemos enfim sentar.
Passados algum tempo ( e alguns goles de cerveja), já estava conversando com todos, rindo e contando como havíamos nos conhecido. Todos pareciam estar muito interessados em tudo aquilo que dizia dando-me total atenção para que eu ficasse o mais confortável possível.
Deviam ser duas da manhã e o bar estava em seu clímax. Em especial, nossa mesa chamava a atenção por ser tão grande e formada por pessoas que arrancava a todos os olhares.
Será que não estaríamos chamando muito a atenção das pessoas daquele bar? Aquela altura, coberto pelos panos das mesas, Bruno estava de mãos dadas comigo e vez ou outra beijava-me o rosto, ou mesmo passava as mãos pelas minhas costas pousando seus braços sobre meus ombros.
Quatro horas da manhã, o bar começava a esvaziar. A banda já não tocava abrindo espaço para um som ambiente tocando bandas conhecidas e consagradas. Estava relaxado, não queria sair daquele lugar, estava com o meu amor e ao lado de agradabilíssimas pessoas, que já foram se tornando minhas amigas também.
Mas sempre há um porém, tudo estava muito feliz, algo deveria acontecer. Passando cambaleante, um rapaz já bêbado tropeçou em nossa mesa derramando toda a sua cerveja em meu tronco e colo. Um completo desastre.
E foi nesse momento, nessa mesma circunstâncias que Bruno, já ríspido, levantou-se e começou a brigar com o rapaz.
- Você não olha por onde anda não? – gritava Bruno.
- Relaxa, a mocinha aqui nem fez escândalo. – Respondeu o rapaz.
Congelei! Fiquei em choque e não sabia como reagir àquela ofensa.
Bruno foi me defender.
- O que? Você está bêbado. Peça desculpas agora.
- Não vou pedir desculpas pra este veadinho.
Vendo que a situação começara a ficar tensa, fui tentando acalmar o Bruno.
- Bruno, relaxa. Não me molhei tanto assim, e o rapaz ainda está bêbado, não vale a pena.
- Não, ele vai te pedir desculpas. – Disse Bruno.
O rapaz, que já ia dando as costas foi interrompido por Bruno que logo o agarrou pela gola da camisa. Estava armada a briga.
Eu não sabia o que fazer, puxava Bruno, mas como ele era mais forte do que eu, não consegui pará-lo. Por vezes batia no homem, em outras levava uns socos.
Os amigos de Bruno, coitados, estavam ainda mais perdidos que eu.
- Gente, ele sempre foi tão pacífico. – Dizia um.
As pessoas que ainda estavam lá, saíam aos poucos de perto evitando serem atingidas inocentemente.
Dois seguranças vieram e afastaram os dois que ainda lutavam, agora para sair dos braços dos seguranças e se engalfinharem novamente.
- Tudo isso pra defender essa bixinha. – Dizia o rapaz.
- Você respeite os outros, moleque. Você ainda nem pediu desculpas para ele. – Berrava Bruno.
Fui aos poucos, com bastante jeito que consegui acalmá-lo, mas aquele era o fim de nossa noite, com uns vermelhões no rosto de Bruno e o orgulho atingido.
Despedimo-nos e fomos embora.
Bom, no estado em que Bruno estava não podia deixá-lo sozinho.
Dentro do carro conversamos brevemente.
- O que foi aquilo? – Perguntei a Bruno.
- O menino te desrespeitou, não podia deixar que ele fizesse isso. Você é meu namorado agora e não vou permitir isso. – Respondeu.
Quando concluiu, Bruno pegou a palma minha mão e a beijou, num gesto sincero e apaixonado. Me rendi e fui logo beijando sua boca.
- Eu te amo, e não vou deixar que nada de ruim te aconteça. Vou te proteger. – Bruno disse.
Fomos para a casa dele, não estava preparado para ir para lá, mas naquele estado, agora era eu quem deveria cuidar dele.
Chegando em sua casa, peguei uma bolsa de gelo e a enchi com alguns cubos. Fui colocando em seu rosto e soprando cada um daqueles vermelhos, marcas de sua briga.
Ele que agora repousava sua cabeça em meu colo para que assim cuidasse dele, tinha seus olhos e atenção todos voltados para mim. E seus olhos não se desviavam.
- Dorme aqui comigo de novo?
- Claro! Já está perto de amanhecer, só não posso sair daqui tão tarde quanto ontem.
Ele puxou minha cabeça em direção a sua e beijou-me. Pus minha mão em seu abdômen e lá ficamos inertes, somente aproveitando aquele momento, o ambiente que era mágico, e meu homem que me amava acima de tudo.
Fomos para seu quarto, e lá dormimos. Desta vez não fizemos sexo, mas melhor, muito melhor, nos abraçamos e assim pegamos num lindo e profundo sono, onde eu tinha o meu homem nos meus braços, olhando para mim e dizendo que me amava mais do que todas as outras coisas. Como eu o amo!

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Desejos Vãos.

Eu queria ser o Mar de altivo porte
Que ri e canta, a vastidão imensa!
Eu queria ser a Pedra que não pensa,
A pedra do caminho, rude e forte!

Eu queria ser o Sol, a luz intensa,
O bem do que é humilde e não tem sorte!
Eu queria ser a árvore tosca e densa
Que ri do mundo vão e até da morte!

Mas o Mar também chora de tristeza…
As árvores também, como quem reza,
Abrem, aos Céus, os braços, como um crente!

E o Sol altivo e forte, ao fim de um dia,
Tem lágrimas de sangue na agonia!
E as Pedras… essas… pisa-as toda a gente!…

Florbela Espanca - Livro das mágoas.
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Florbela Espanca, a tradução da dor e desespero.
Uma poetisa singular em suas palavras e história de vida.
Não um exemplo, mas uma moral.

Aqui venho também falar da minha vontade de escrever um livro de poesias.
O gênero? Não sei.
Identifico como uma mistura entre ultra-romântico e pós-moderno.
Minhas coleções já estão sendo arquivadas para em breve escrever a minha obra.
Uma vida, uma terapia escrita.
Queira Deus que tudo dê certo. Espero ansiosamente que sim.

Espero que tenham gostado do poema que postei; Florbela é uma de minhas grandes inspirações.
Em especial a obra: O livro das mágoas que foi escrito pela mesma.
Uma obra ímpar..a quem se interessar, está muito bem recomendado.