sexta-feira, 14 de agosto de 2009

...continuação [parte V]

Dormi.
Descansei.
Acordei em sobressalto. Eram dez horas da manhã. Dormira pouco, mas já devia ir embora. Bruno ainda dormia. Como me despedir?
Achei melhor não acordá-lo, escrevi um pequeno bilhete lamentando não poder esperar que ele acordasse e, claro, terminava o bilhete com um simples e sincero “Te amo”; e o coloquei sobre a cabeceira de sua cama.
Peguei o ônibus e fiz meu caminho de volta à minha casa.
Ao que cheguei em casa, minha mãe já me esperava. Sabia que eu não tinha dormido em casa e sequer havia dado notícias, ela estava muito preocupada. Disse que havia dormido na casa de um amigo.
Bom, com um grande custo ela me perdôo por este deslize, mas sobre juramento de não repeti-lo novamente, respondi afirmativamente.
Neste dia, Bruno me ligou. Parecia mal e, respondeu apenas ser conseqüência de uma indesejada ressaca moral. Naquele dia não saímos, trocamos somente estas poucas palavras por telefone, e assim foi nos dias seguintes.
Telefonemas, algumas outras declarações. Há uma semana não nos víamos.
O tempo se arrastava naquelas férias e, logo começariam novamente minhas aulas. Enquanto a Bruno? Será que ainda se lembrava de meu rosto? Afinal, a quanto tempo não nos víamos?
Faltava uma semana para o início de minhas aulas, a ansiedade tomava conta de mim. Bruno vez ou outra me ligava, dizia estar com saudades, mas que estava muito ocupado e não podia estar saindo muito, saía do trabalho sempre muito cansado.
Mas foi naquele final de semana daquela última semana de férias que nos vimos. Marcamos outro encontro em um restaurante daqui de Goiânia, ele me pegou em casa e seguimos. As ruas passavam. As luzes da noite, já acesas, inundavam o veículo formando um tipo de caleidoscópio, estando às vezes escuro e às vezes claro, na medida em que passávamos pelos postes públicos de iluminação.
Chegamos.
Era um lugar extremamente formal onde se especializavam em vinhos e frutos do mar. Não estava acostumado àquilo.
Mal havíamos trocado palavras, o ambiente parecia desconfortável, e creio que não fui o único que achei isso.
- Bruno, está acontecendo alguma coisa? Você quase não falou comigo. – Questionei.
- Não! Estou muito bem. – Respondeu.
- Sabe, eu estava com muitas saudades de você. Havia muito tempo que não nos víamos. Se o visse na rua, capaz que não o reconheceria mais. – Brinquei.
- Nossa! Não tem tanto tempo assim não. – Bruno riu. – Mas, eu também estava com muitas saudades de você. O problema é que estava muito ocupado com o serviço e mal tinha tempo pra mim mesmo.
- Segunda-feira começa minhas aulas. – Afirmei. Mas isto era somente como uma última alternativa de tentar puxar assunto.
- Ah! Que bom. Vou querer conhecer os seus amigos também. – Respondeu Bruno. – A propósito, meus amigos adoraram você, capaz que me batem se eu terminar com você.
Sorri. Ainda bem que havia causado tão boa impressão, era isso o que eu esperava, mas de modo bastante natural, sem forçar uma personalidade que sei não possuir.
- Puxa! Não imaginei que eles fossem gostar tanto de mim. Também adorei os teus amigos, são todos muito bacanas.
Terminamos o jantar e já fomos pensando no que faríamos.
Andamos pela cidade e paramos na porta de uma boate.
- Quer entrar? – Perguntou Bruno.
- Você que sabe, estou te acompanhando.
- Não! Você está comigo. – Argumentou Bruno.
Adorei ouvir aquilo. Eu estava com ele, naquele carro estávamos a sós e, mesmo no meio de uma multidão, ainda estaríamos somente um com o outro. Somente a presença dele bastava.
Entramos e já fomos ofuscados por luzes estroboscópicas e tantos outros flashes e canhões de luz, ou mesmo pela fumaça característica destes ambientes. Naquela noite, tocava house music, um gênero que particularmente gosto, e dançamos ao som da música.
Por ser uma boate hétero, eu e Bruno evitávamos nos aproximar muito para evitar olhares ou mesmo implicações como já havia ocorrido antes.
Dançávamos e mal víamos a hora passar. Inúmeras garotas nos encaravam, pareciam estar interessadas em nós, coisa da qual não dávamos a menor bola e ainda ríamos da situação, mal sabiam estas coitadas que estávamos juntos.
Música após música, cerveja após cerveja; fomos cedendo ao cansaço e não demorou muito, já estávamos saindo.
Entramos no carro e a primeira coisa que fizemos foi nos beijar. Um beijo de saudade. Como pudemos ficar tanto tempo distante um do outro?
Beijávamos e nos abraçávamos. Dali iríamos para sua casa, ou pensava que iríamos.
Seguimos. Cruzando ruas, subindo ladeiras, até chegarmos à porta de um motel, eu desconcertei, nunca havia entrado em um antes, olhei para ele que somente ria abafadamente da situação.
Bruno pediu um quarto especial. O que seria um quarto especial?
Quando entramos no quarto especial, percebi o porquê de ser especial.
Cama redonda, vidro no teto (típico), televisão em LCD, jacuzzi e mesmo um mini salão com uma música ambiente.
Sobre a cama, estava um lençol de seda na cor pérola, um conjunto de almofadas muito bem posicionadas na cabeceira da cama e pétalas de rosas vermelhas espalhadas sobre a cama.
- Meu Deus! – Fiquei imóvel.
- Isso é só pra você. – Disse Bruno. – Quer tomar um banho? – Completou.
- Claro, vamos.
E entramos naquela banheira maravilhosa e espumante onde logo nos posicionamos, um sentado à frente do outro colocando seu peito contra minhas costas, e seus braços e pernas fazendo toda a circunferência do meu corpo.
Abraçava-me. Beijava-me. Dizia tantas coisas nos meus ouvidos que a grande maioria destas, eu ainda não conseguia assimilar. Eram inúmeras as informações sensoriais que estavam me acometendo naquele momento: A água quente que molhava nossos corpos, a espuma que graciosamente encostava-se em nossos troncos dando uma sensação quase excitante e, muito além, as mãos do Bruno que passeavam pelo meu corpo dançando desde minha cabeça, descendo e descendo, ou mesmo sua língua que pousava em meu pescoço e boca.
Aquele momento deveria ser eterno. Em menos de dois dias, minhas aulas começariam e a rotina dominaria minha vida. Não poderia deixar isto acontecer, fiz daquele momento eterno.
- Você é muito lindo! – Exclamou Bruno.
Sempre que me fazia estas afirmações, ficava sempre sem graça e encontrava resposta para tal em um beijo. E o beijei como um sinal de obrigado.
- Sabe, fico pensando se você sente por mim o mesmo que sinto por você. – Bruno perguntou.
- Porque você está me perguntando isso? – Fiquei sem entender o motivo de tal pergunta.
- Você sabe. Eu gosto muito de você. Lucíolo, eu te amo, mas e você? Me ama do jeito que eu te amo? – Fiz uma pausa. Fiquei mudo com esta pergunta que ele fez, não sabia o que responder. Amo-o, mas nunca fui de expressar sentimentos, sempre tive problemas com isso. – Estou te deixando muito sem graça? – Bruno terminou sua pergunta.
Ri e somente afirmei.
Ele se levantou da banheira, pegou sua toalha e cobriu seu corpo. Quando terminou, estendeu a mão para mim, que assistia a tudo, chamou-me para irmos para a cama.
Levantei-me e ele, prontamente já com uma toalha na mão secava-me. Me enrolei nesta toalha e quase que prontamente seguimos para a cama estando Bruno atrás de mim segurando meus ombros com suas mãos fazendo uma suave massagem.
Deitei, e logo por cima veio Bruno abraçando-me, beijando-me. Assim nos reconhecíamos, nos completávamos.

Um comentário:

Douglas Montielle disse...

Olá,

Vc escreve mesmo bem. Comecei a ler seu conto pensando em continuar depois, mas a história realmente prendeu minha atenção e cheguei até aqui de uma vez.
Até agora, um belo conto de fadas. História que vc, eu e a maioria das outras pessoas gostaria de viver, e que acontece nos filmes e livros e novelas. No entanto, ler seu conto me deixou um pouco triste, em ficar pensando: "será que existe algo tão perfeito? almas gêmeas? amor a primeira vista?". Bem, não sei mesmo. Mas por segurança, prefiro não esperar por nada disso.
Que eu não seja interpretado mal, não é que eu seja um sem coração que deixou de acreditar no amor sincero. Mas prefiro ir pelo caminho da temperança, de relações construidas com o tempo, e amor nascido e alimentado com uma história de química, intimidade, confiança, companheirismo, respeito. Que não acredito que possam surgir instantaneamente.
Todavia, reconheço que sou imaturo e sei muito pouco da vida nesses 22 anos. E dou minha cara a tapa (e desfrutarei disso) se um dia surgir um príncipe encantado em meu caminho que desperte de imediato essa certeza de que 'encontrei minha outra metade'.

Ocorreu um erro neste gadget