quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

...continuação [Parte II]

Voltando para casa, pensava no que seria de mim dali para frente. Poderia contar com uma ligação? Uma chamada?
Estava desesperado. Já era dia quando me entreguei à exaustão enquanto meus pais, coitados, sequer desconfiavam de tudo o que havia se passado naquela noite anterior.
Já era tardezinha quando despertei, ainda meio sonolento. Tomei meu merecido banho e fui logo cumprimentar meus parentes por mais um ano de muita felicidade, paz, união, saúde, dinheiro,... coisas das quais todos se cansam de ouvir.
Quando ele me ligaria? Estava começando a ficar nervoso, todos reparavam e perguntavam o por que e, eu dava respostas ainda mais frias e esquivas, afinal, ele havia me esquecido; como disse: relacionamentos gays começam e terminam em uma única noite, em uma única transa.
O dia terminou e Bruno não me ligou, e claro que eu também não ligaria, não iria querer dar o meu braço a torcer.
No dia seguinte voltei para Goiânia. Um pouco mais lúcido e com os pés no chão tentei voltar a minha rotina: Ano novo,vida nova; não seria iludido por ele e mais ninguém novamente e assim o resto de semana correu.
Já estava acostumado com a idéia de ter sido traído por aquelas pseudo juras de amor quando na terça-feira (ainda me lembro bem), dia seis de janeiro, recebo sua ligação.
-Oi lindo! Como você está? – Dizia Bruno naquele mesmo tom que fez com que me apaixonasse por ele.
-Como estou? Imagina... Uma semana esperando você me ligar e nada. Nem imaginava que você ainda fosse ter o meu número. – Disse rispidamente
-Nossa! Desculpe, eu sei que devia ter ligado antes, mas eu estava sem crédito e não tinha como te ligar, mas por que você não me ligou também? – Respondeu meio desconfiado.
-Eu também estava sem crédito. – Menti claro. Sou muito orgulhoso para ligar para o cara no dia seguinte.
-Como você passou o dia seguinte? Eu não paro de pensar em você um minuto sequer... queria te ver novamente. – Bruno me perguntou.
Pronto! Já estava entregue. Se ele ficou uma semana sem me ligar? DANE-SE. Depois destas palavras, haveria de esquecer até mesmo o pior dos crimes.
-Me ver? Poxa, eu já estou em Goiânia e,... – antes que eu pudesse completar o que ia dizer, Bruno já se adianta.
-Perfeito. Eu também moro em Goiânia. – Respondeu entre risos.
-E você já está aqui? – Perguntei-lhe.
-Sim. Podemos nos ver quando?
-Quando você quer? – Passei a bola para ele.
-Pode ser hoje, na minha casa? – Bruno respondeu.
-Claro! Me passe o endereço.
Gravei o seu endereço e logo a noite estaria lá. Era arriscado, mas a vontade de vê-lo novamente era ainda maior.
Enquanto aos meus pais que ainda estavam na cidade? Diria que iria a uma festinha na casa de uma amiga e qualquer coisa dormiria lá mesmo, não tinha como dar errado.
Passei todo o resto do dia pensando, fantasiando como seria aquela noite na presença do meu homem. Será melhor que nosso primeiro encontro? Sairei realizado? Ele me pedirá em namoro? Breves momentos de pensamento mágico, devaneios que às vezes tenho.
Já eram oito horas da noite, estava pronto e já tomando um táxi para a casa de Bruno; pensava o que seria de ali em diante, o que aquela noite me aguardava. Chegando em sua casa, fui de imediato recebido com um beijo.
-Então, você veio. – Disse Bruno. – Entre. Não fique esperando aí parado na porta.
Ainda meio apreensivo entrei e vislumbrei sua casa. Nada muito luxuoso, embora não fosse inteiramente simples. Cada um de seus objetos sobre a estante na sala pareciam ter sido milimetricamente postos, onde disputavam espaço com sua televisão, DVDs e outros artigos eletrônicos de pura distração. Tudo era novo e belo para mim... o conhecera a uns dias e já estava em sua casa presenciando a sua intimidade.
Enquanto conversávamos, ele ligou a televisão, foi na cozinha e logo me trouxe uma garrafa de vinho com duas taças.
-Você está querendo me embebedar? – Perguntei brincando.
-Não preciso disso, já te tenho mesmo lúcido. – Respondeu rindo.
Serviu-me a taça e já fui virando para aliviar a tensão daquele momento.
Conversávamos sobre tudo: História de vida, planos para o futuro, novidades e acontecimentos pessoais, enfim, uma roda de conversa.
Nem me lembro do que estava passando naquela televisão, quando ele a desligou, já veio para cima de mim, me beijando todo; fiquei extasiado.
-Que saudade eu estava de você, sabia? – Bruno me disse.
-Sim! Eu também senti muito a sua falta, cheguei a pensar que você nem me ligaria mais. – Respondi dando um beijo.
-Lógico que eu iria te ligar, não se esqueça o que eu te disse na noite que nos conhecemos: Você é perfeito. Não quero te perder. – Bruno dizia.
Aquilo me soou como uma declaração. Eu estava esperando ouvir aquilo, mas vê-lo dizer tais coisas foi muito além de minhas expectativas, tanto é que por pouco não deixo as lágrimas rolarem, embora meus olhos tenham ficado marejados.
O vinho já estava a uma taça do fim quando ele pediu para que eu me deitasse naquele sofá colocando minha cabeça sobre seu colo, e foi quando me deitei que vi o resultado do vinho, estava um pouco mais leve e o teto rodava vagarosamente.
Fitando seu olho, vi o esboço de um sorriso... e como é lindo o seu sorriso, foi neste instante que ele se abaixou e beijou-me novamente, longamente, passando os dedos por entre meus cabelos lisos e tendo a minha mão direita agarrada sobre a sua nuca forçando um pouco mais de excitação àquele momento.
Nos olhávamos, dizíamos palavras de carinho e trocávamos toques. Estava lindo tendo sua mão alisando meu rosto e cabelo, além de parecer estar praticamente despido aos seus olhos.
Ficamos assim por um intervalo de vinte minutos (se ainda me lembro), quando ele pediu para que eu me levantasse e o acompanhasse ao quarto porque ele tinha uma surpresa, e assim seguimos.
Chegamos no quarto e as únicas coisas que lá haviam era um criado-mudo posicionado ao lado de uma cama de casal, e um guarda-roupa que tomava por inteiro uma das paredes do quarto. Mas além, muito além, o que me agradou foi ver três lindas velas aromatizantes acesas rodeadas por pétalas brancas de rosas sobre o criado-mudo. Aquilo me encantou.
Nunca havia namorado nenhum rapaz antes, e Bruno era o que eu sempre idealizara, um homem lindo e romântico que sabe conquistar com seu requinte, criatividade, inteligência e erotismo.
Fiquei estático. Ele que estava ao meu lado, foi para trás de mim e me deu um abraço onde já pude sentir o início de uma ereção. Virei meu pescoço em sua direção e dei-lhe um beijo.
Quando ele voltou à sala para ligar o som disse-lhe que não queria aquele momento com música, pois acima de tudo, queria poder ouvir os nossos gemidos, o atrito de nossos corpos.
-Você tem razão, será muito melhor ouvir você gemendo meu nome baixinho no meu ouvido. – Bruno me disse sorrindo. – Hoje vamos aproveitar cada momento, só nós dois.
Aquilo foi excitante, confesso.
Ele me puxou para sua cama que estava com um lençol vermelho. Puxou-me e já foi me pedindo para tirar a roupa devagar, como num Streep. Já fui atendendo seu pedido e tirava meu calçado, meia, camisa tudo como num ritual tântrico.
Meu corpo estava em chamas, e Bruno me observava estando somente de cueca cerrando os lábios. Aquilo ativou minha libido e já fui tirando minha calça ficando também somente de cueca e me jogando sobre o corpo de Bruno, beijando sua boca, pescoço, tórax, descendo com uma paciência que o deixava ainda mais desejoso do porvir.
Fui tirando sua cueca e beijando cada centímetro de seu membro que já em riste exalava um aroma familiar. Fui descendo com minha língua milímetro por milímetro... podia ouvir seus sussurros, seus gemidos.
E assim fiquei por um tempo significativo. Quando vi que ele não iria mais agüentar aquela situação, sentei-me de frente a ele cruzando nossas pernas, encostando nossos tórax. Ele me empurrava para mais perto de si, como se já me quisesse dentro dele; fazer-nos um.
Seus olhos cerrados fitavam os meus, sua boca a toda hora era humedecida por sua língua que dançava por seus lábios, pedindo mais e mais.
Minhas mãos deslizavam por suas costas e por vezes puxava-lhe o cabelo (adoro fazer isto) o que fazia com que arrancasse ainda mais suspiros do meu homem.
-Eu não vou agüentar muito tempo mais se você continuar assim. – Disse Bruno.
-Calma! A noite é muito longa e mal começamos o que queremos. – Respondi.
Ele deitou-me sobre a cama com a barriga para cima, foi tirando minha cueca e deitou sobre mim, nossos órgãos lutavam entre si, pois ambos estavam latejantes.
Quando Bruno se colocou de joelhos sobre a cama, já sabia o que haveria após. Ele colocou sob mim um par de almofadas, abriu minhas pernas e colocou-as envoltas ao seu quadril.
Bruno sorria com um ar sacana passando seu pênis em meu ânus me fazendo virar o olho e pedir para que me penetrasse logo.
-Peça para que eu te coma. Peça mais. – Bruno ria sarcasticamente, sentindo-se o dono da situação.
E eu pedia quase implorando para ter aquele homem em mim. E ele me atendeu.
Foi se deitando sobre mim forçando a entrada em meu ânus... ficava me encarando nos olhos, e este olhar me hipnotizou.
Gemia alto e chamava por seu nome. Seu membro já estava dentro de mim, seu corpo estava suado e sua voz começava a ficar rouca me dizendo no ouvido:
-Pronto! Agora você vai ser meu de novo. Rebola para mim? – Perguntou Bruno que foi prontamente atendido quando eu rebolava sobre seu pênis e acariciava sua bunda.
Começava ali aqueles movimentos tão conhecidos; movimentos rítmicos que fazia-nos transportar a um lugar diferente daquele, um lugar de puro erotismo e prazer.
Enquanto ele me penetrava, sua boca se encontrava com a minha, sua mão deslizava sobre meu corpo e minha mão sobre suas costas, pescoço e rosto.
-Meu garoto. Será só meu de agora em diante, eu quero você. – Sussurrava em meu ouvido.
Bruno, depois de um tempo naquela posição colocou-me de joelhos e penetrou-me estando de quatro para ele. Foi a melhor de todas. Bruno parecia irracional, puxava-me pelo cabelo e sugava o meu pescoço enquanto eu me masturbava.
Senti-lo sobre mim foi tão especial, as horas corriam e não nos dávamos conta, pareciam ser minutos, deixávamos nos levar pela excitação, quando a respiração de Bruno foi ficando mais pesada, ele me colocou deitado de lado, virado de costas para ele; ergueu uma de minhas pernas e começou a me penetrar vorazmente, seu pênis vibrava e parecia crescer dentro de mim quando pude perceber seu gozo no instante em que ele foi parando com suas penetrações, deixando seu membro ainda dentro de mim, abaixando minhas pernas e me abraçando. Pude perceber a dimensão da situação quando seu pênis já amolecido saiu de mim e deitei-me de frente para ele. Pude ouvir seu sussurro:
-Te amo!
Aquilo me assustou. Estava dizendo como gratidão à transa? Estava dizendo ludicamente? Será que realmente me amava? A resposta logo apareceu quando pus meus braços sobre seu abdômen, ele com os olhos abertos repetiu olhando em meus olhos.
-Te amo!
Não soube o que fazer. Confundo facilmente amor com paixão e, apesar de termos nos conhecido a pouco tempo sabia que aquilo que eu sentia era mais do que paixão. Nunca amara um homem antes.
Virei de costas para ele e naquela cama deixei silenciosamente as lágrimas correrem. Era um choro sincero, estava confuso em dúvidas comigo mesmo, dúvidas em relação a ele.
Será que ele não estaria enganado dizendo aquelas palavras pra mim? Será que ele não está somente apaixonado? Pensamentos insanos, mas que não podia evitar e não sabia como evitar também.
Ali, as lágrimas correram amargamente. Estava com medo do futuro, do que seria daquela relação, acho que ninguém nunca me amou antes e aquele homem, o homem com o qual sempre sonhei me dizendo aquilo era bom demais para ser verdade. Estaria sonhando?
-O que aconteceu, meu lindo? – Já havia me tornado o seu querido. Bruno perguntou-me isso com uma voz tão doce.
Voltei-me para ele com o rosto molhado e ele assustado me perguntou por que estava chorando.
-Eu também te amo, muito. – Respondi.
-Era isso o que queria ouvir de você. – Bruno me disse.
Abraçou-me e me deu o beijo mais apaixonado de todos.
Era madrugada, estávamos deitados em conchinha, abraçados como um verdadeiro casal. Bruno entrelaçava sua mão sobre a minha, brincava com meus dedos e dizia palavras amorosas em meus ouvidos. Assim adormeci.
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