sexta-feira, 28 de agosto de 2009

>>>PAUSA<<<

>>>Estou cansado!<<<
No momento resolvi dar um tempo a este conto.
Procuro por algo maior e concreto e sei que levando esta fantasia adiante, não encontrarei o que busco.
Tenho vivido dias de Jó. Mas também reconheço que nada nesta vida é eterno, e meu oásis chegará.
Quero viver intensamente, quero experimentar coisas novas, quero sorrir das pequenas coisas e apreciar minha vida como uma dádiva.
Quero amar intensamente.
Não peço muito, peço compreensão.
Ah! Nestes últimos dias, olhei para o céu e vi a imensidão azul. Enevoado e triste.
O que fazer para mudar este ciclo vicioso da qual despenquei?
Todos os dias, uma rotina;
Toda rotina, seu tédio;
De todo tédio, uma nova e estranha lamúria.
E chorei...chorei pela desesperança que invade meu coração e me torna um alvo tão vulnerável às flechadas da qual sou vítima.
Se entendessem estas associações, talvez não me perguntassem se estou bem, se estou feliz, ou quiçá vivo.

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

...continuação [parte V]

Dormi.
Descansei.
Acordei em sobressalto. Eram dez horas da manhã. Dormira pouco, mas já devia ir embora. Bruno ainda dormia. Como me despedir?
Achei melhor não acordá-lo, escrevi um pequeno bilhete lamentando não poder esperar que ele acordasse e, claro, terminava o bilhete com um simples e sincero “Te amo”; e o coloquei sobre a cabeceira de sua cama.
Peguei o ônibus e fiz meu caminho de volta à minha casa.
Ao que cheguei em casa, minha mãe já me esperava. Sabia que eu não tinha dormido em casa e sequer havia dado notícias, ela estava muito preocupada. Disse que havia dormido na casa de um amigo.
Bom, com um grande custo ela me perdôo por este deslize, mas sobre juramento de não repeti-lo novamente, respondi afirmativamente.
Neste dia, Bruno me ligou. Parecia mal e, respondeu apenas ser conseqüência de uma indesejada ressaca moral. Naquele dia não saímos, trocamos somente estas poucas palavras por telefone, e assim foi nos dias seguintes.
Telefonemas, algumas outras declarações. Há uma semana não nos víamos.
O tempo se arrastava naquelas férias e, logo começariam novamente minhas aulas. Enquanto a Bruno? Será que ainda se lembrava de meu rosto? Afinal, a quanto tempo não nos víamos?
Faltava uma semana para o início de minhas aulas, a ansiedade tomava conta de mim. Bruno vez ou outra me ligava, dizia estar com saudades, mas que estava muito ocupado e não podia estar saindo muito, saía do trabalho sempre muito cansado.
Mas foi naquele final de semana daquela última semana de férias que nos vimos. Marcamos outro encontro em um restaurante daqui de Goiânia, ele me pegou em casa e seguimos. As ruas passavam. As luzes da noite, já acesas, inundavam o veículo formando um tipo de caleidoscópio, estando às vezes escuro e às vezes claro, na medida em que passávamos pelos postes públicos de iluminação.
Chegamos.
Era um lugar extremamente formal onde se especializavam em vinhos e frutos do mar. Não estava acostumado àquilo.
Mal havíamos trocado palavras, o ambiente parecia desconfortável, e creio que não fui o único que achei isso.
- Bruno, está acontecendo alguma coisa? Você quase não falou comigo. – Questionei.
- Não! Estou muito bem. – Respondeu.
- Sabe, eu estava com muitas saudades de você. Havia muito tempo que não nos víamos. Se o visse na rua, capaz que não o reconheceria mais. – Brinquei.
- Nossa! Não tem tanto tempo assim não. – Bruno riu. – Mas, eu também estava com muitas saudades de você. O problema é que estava muito ocupado com o serviço e mal tinha tempo pra mim mesmo.
- Segunda-feira começa minhas aulas. – Afirmei. Mas isto era somente como uma última alternativa de tentar puxar assunto.
- Ah! Que bom. Vou querer conhecer os seus amigos também. – Respondeu Bruno. – A propósito, meus amigos adoraram você, capaz que me batem se eu terminar com você.
Sorri. Ainda bem que havia causado tão boa impressão, era isso o que eu esperava, mas de modo bastante natural, sem forçar uma personalidade que sei não possuir.
- Puxa! Não imaginei que eles fossem gostar tanto de mim. Também adorei os teus amigos, são todos muito bacanas.
Terminamos o jantar e já fomos pensando no que faríamos.
Andamos pela cidade e paramos na porta de uma boate.
- Quer entrar? – Perguntou Bruno.
- Você que sabe, estou te acompanhando.
- Não! Você está comigo. – Argumentou Bruno.
Adorei ouvir aquilo. Eu estava com ele, naquele carro estávamos a sós e, mesmo no meio de uma multidão, ainda estaríamos somente um com o outro. Somente a presença dele bastava.
Entramos e já fomos ofuscados por luzes estroboscópicas e tantos outros flashes e canhões de luz, ou mesmo pela fumaça característica destes ambientes. Naquela noite, tocava house music, um gênero que particularmente gosto, e dançamos ao som da música.
Por ser uma boate hétero, eu e Bruno evitávamos nos aproximar muito para evitar olhares ou mesmo implicações como já havia ocorrido antes.
Dançávamos e mal víamos a hora passar. Inúmeras garotas nos encaravam, pareciam estar interessadas em nós, coisa da qual não dávamos a menor bola e ainda ríamos da situação, mal sabiam estas coitadas que estávamos juntos.
Música após música, cerveja após cerveja; fomos cedendo ao cansaço e não demorou muito, já estávamos saindo.
Entramos no carro e a primeira coisa que fizemos foi nos beijar. Um beijo de saudade. Como pudemos ficar tanto tempo distante um do outro?
Beijávamos e nos abraçávamos. Dali iríamos para sua casa, ou pensava que iríamos.
Seguimos. Cruzando ruas, subindo ladeiras, até chegarmos à porta de um motel, eu desconcertei, nunca havia entrado em um antes, olhei para ele que somente ria abafadamente da situação.
Bruno pediu um quarto especial. O que seria um quarto especial?
Quando entramos no quarto especial, percebi o porquê de ser especial.
Cama redonda, vidro no teto (típico), televisão em LCD, jacuzzi e mesmo um mini salão com uma música ambiente.
Sobre a cama, estava um lençol de seda na cor pérola, um conjunto de almofadas muito bem posicionadas na cabeceira da cama e pétalas de rosas vermelhas espalhadas sobre a cama.
- Meu Deus! – Fiquei imóvel.
- Isso é só pra você. – Disse Bruno. – Quer tomar um banho? – Completou.
- Claro, vamos.
E entramos naquela banheira maravilhosa e espumante onde logo nos posicionamos, um sentado à frente do outro colocando seu peito contra minhas costas, e seus braços e pernas fazendo toda a circunferência do meu corpo.
Abraçava-me. Beijava-me. Dizia tantas coisas nos meus ouvidos que a grande maioria destas, eu ainda não conseguia assimilar. Eram inúmeras as informações sensoriais que estavam me acometendo naquele momento: A água quente que molhava nossos corpos, a espuma que graciosamente encostava-se em nossos troncos dando uma sensação quase excitante e, muito além, as mãos do Bruno que passeavam pelo meu corpo dançando desde minha cabeça, descendo e descendo, ou mesmo sua língua que pousava em meu pescoço e boca.
Aquele momento deveria ser eterno. Em menos de dois dias, minhas aulas começariam e a rotina dominaria minha vida. Não poderia deixar isto acontecer, fiz daquele momento eterno.
- Você é muito lindo! – Exclamou Bruno.
Sempre que me fazia estas afirmações, ficava sempre sem graça e encontrava resposta para tal em um beijo. E o beijei como um sinal de obrigado.
- Sabe, fico pensando se você sente por mim o mesmo que sinto por você. – Bruno perguntou.
- Porque você está me perguntando isso? – Fiquei sem entender o motivo de tal pergunta.
- Você sabe. Eu gosto muito de você. Lucíolo, eu te amo, mas e você? Me ama do jeito que eu te amo? – Fiz uma pausa. Fiquei mudo com esta pergunta que ele fez, não sabia o que responder. Amo-o, mas nunca fui de expressar sentimentos, sempre tive problemas com isso. – Estou te deixando muito sem graça? – Bruno terminou sua pergunta.
Ri e somente afirmei.
Ele se levantou da banheira, pegou sua toalha e cobriu seu corpo. Quando terminou, estendeu a mão para mim, que assistia a tudo, chamou-me para irmos para a cama.
Levantei-me e ele, prontamente já com uma toalha na mão secava-me. Me enrolei nesta toalha e quase que prontamente seguimos para a cama estando Bruno atrás de mim segurando meus ombros com suas mãos fazendo uma suave massagem.
Deitei, e logo por cima veio Bruno abraçando-me, beijando-me. Assim nos reconhecíamos, nos completávamos.

segunda-feira, 22 de junho de 2009

...continuação [parte IV]

O que ele queria me contar, ainda não sabia, embora, já tenha me causado um alvoroço que logo em seguida saberia ter sido desnecessário e, pelo contrário, seria o motivo de minha eterna felicidade.
- Bom, já estamos juntos a algum tempo e acho que nunca estive tão feliz em minha vida estando com outro cara.
- Acha? – imediatamente contra argumentei tentando dar um ar mais alegre àquele ambiente.
- Não! Nunca estive tão feliz antes. Tenho certeza. – E continuou: Você foi um homem que conheci tão de repente e logo já mexeu comigo.
Será que ele me diria aquilo que tanto esperava? Bom, pelo menos estando já lúcido e não sobre a influência de uma transa.
- Você é inteligente, tem um enorme carisma, é lindo e, por Deus, tem inúmeras outras qualidades. – Fiquei constrangido com tantos adjetivos. – Por isso eu quero te dizer que eu te amo.
Pronto! O que eu faria agora?
Bruno sempre soube como me constranger dizendo essas coisas, e foi neste instante que ele pegou minhas duas mãos e agarrou-as com suas mãos aproximando de seu rosto e beijando-as sobre a parte superior, logo em seguida as pôs contra seu peito e me beijando ardentemente.
Não havia muito tempo, pois tanto ele quanto eu estávamos apressados, onde ele iria para seu trabalho, e eu deveria voltar pra minha casa.
- Tem como eu vê-lo hoje? – Bruno me perguntou.
- Acho que não, pois minha mãe deve estar puta, já que dormi fora e estou até agora fora. – Neste momento, deveria ser quase meio-dia.
- Beleza, então eu te ligo. Não vou te perder, meu amor.
Aquilo foi como uma flecha no meu coração que ao mesmo tempo em que me alegrava, me deixava triste. Tanto procurei por um homem como ele e, justo no local e hora mais inusitado encontrei o meu príncipe. E chorei, chorei em seus braços.
- Ei, o que houve? – Ele perguntou com um tom quase triste por me ver daquela forma.
- Não sei! Sempre procurei o homem perfeito, e de repente, te encontrei. Você está me fazendo muito feliz. Também te amo muito.
- Não quero te ver chorar. – Ao dizer isso, me deu um forte abraço para que assim pudesse me consolar, e como me consolava.
Fomos cada um a nossos destinos na certeza de que nos veríamos novamente, na certeza de que nos amávamos.
Chegando em casa, minha mãe não parecia tão preocupada quanto das outras vezes em que dormira fora. Aquilo já era um alívio.
O resto do dia fiquei em meu quarto pensando e relembrando tudo aquilo, digerindo cada momento em que passei com ele; cada palavra dita, cada gesto, cada expressão.
Logo no início da noite meu celular toca e ouço aquela voz tão conhecida.
- E aí, está melhor?
- Muito melhor. Só estou com saudades, quero te ver de novo. – Respondi.
- Mas isso é muito fácil. Pode ser hoje? Quero te apresentar para uns amigos meus.
- Mas já? – Achei aquilo estranho, nunca havia namorado antes e pensava que se demorava um pouco para a pessoa logo ser assim apresentada ao círculo de convívio do outro.
- Sim! Falei de você para eles, o quanto você me fazia feliz, e eles estão doidos para conhecê-lo.
- Hoje? Pode ser. Minha mãe não ficou tão nervosa por eu ter demorado ontem, então acho que ela me libera hoje. – Logo respondi.
- Perfeito! Posso te pegar às dez?
- Sim! Vou te esperar.
Passei o meu endereço. Estava marcado, logo o veria novamente.
Às nove horas, já fui me arrumando para ficar pronto na hora marcada, quando recebo sua ligação dizendo que se atrasará um pouco. Tudo bem, essas coisas acontecem.
Eram quase onze quando o interfone toca. Era ele, só podia ser. Atendi e não havia errado. Desci até a portaria e o encontrei, lindo e sorridente acenando para mim. Fui em direção a ele e entramos em seu carro. Seguimos ao bar onde nos encontraríamos com seus amigos.
Era um bar hétero e de bastante movimento, onde as pessoas bebiam, comiam, conversavam e fumavam ao som de uma banda que propunha alegrar o ambiente.
- Amor, não fique nervoso, eles são super bacana e, se não se sentir a vontade, nós vamos embora.
Fiz um ligeiro sinal afirmativo com a cabeça e entramos naquele ambiente que ainda me era estranho. Era necessário um tempo até que eu me adaptasse.
E assim entramos, não de mãos dadas, pois não queríamos chamar toda a atenção para nós, mas como simples amigos aos olhos dos que nos viam.
E fomos adentrando, mesa após mesa, até finalmente pararmos diante três mesas colocadas uma ao lado da outra que tinha em si uns oito integrantes. Seus membros eram homens e mulheres lindos fisicamente e pareciam todos ser muito inteligentes e comunicativos.
Aquilo me deixou em defensiva, homens e mulheres lindos, altos e com um belo porte atlético.
Bruno, que nunca foi muito sutil, foi logo fazendo as apresentações começando um ritual de beijos e apertos de mão para que pudéssemos enfim sentar.
Passados algum tempo ( e alguns goles de cerveja), já estava conversando com todos, rindo e contando como havíamos nos conhecido. Todos pareciam estar muito interessados em tudo aquilo que dizia dando-me total atenção para que eu ficasse o mais confortável possível.
Deviam ser duas da manhã e o bar estava em seu clímax. Em especial, nossa mesa chamava a atenção por ser tão grande e formada por pessoas que arrancava a todos os olhares.
Será que não estaríamos chamando muito a atenção das pessoas daquele bar? Aquela altura, coberto pelos panos das mesas, Bruno estava de mãos dadas comigo e vez ou outra beijava-me o rosto, ou mesmo passava as mãos pelas minhas costas pousando seus braços sobre meus ombros.
Quatro horas da manhã, o bar começava a esvaziar. A banda já não tocava abrindo espaço para um som ambiente tocando bandas conhecidas e consagradas. Estava relaxado, não queria sair daquele lugar, estava com o meu amor e ao lado de agradabilíssimas pessoas, que já foram se tornando minhas amigas também.
Mas sempre há um porém, tudo estava muito feliz, algo deveria acontecer. Passando cambaleante, um rapaz já bêbado tropeçou em nossa mesa derramando toda a sua cerveja em meu tronco e colo. Um completo desastre.
E foi nesse momento, nessa mesma circunstâncias que Bruno, já ríspido, levantou-se e começou a brigar com o rapaz.
- Você não olha por onde anda não? – gritava Bruno.
- Relaxa, a mocinha aqui nem fez escândalo. – Respondeu o rapaz.
Congelei! Fiquei em choque e não sabia como reagir àquela ofensa.
Bruno foi me defender.
- O que? Você está bêbado. Peça desculpas agora.
- Não vou pedir desculpas pra este veadinho.
Vendo que a situação começara a ficar tensa, fui tentando acalmar o Bruno.
- Bruno, relaxa. Não me molhei tanto assim, e o rapaz ainda está bêbado, não vale a pena.
- Não, ele vai te pedir desculpas. – Disse Bruno.
O rapaz, que já ia dando as costas foi interrompido por Bruno que logo o agarrou pela gola da camisa. Estava armada a briga.
Eu não sabia o que fazer, puxava Bruno, mas como ele era mais forte do que eu, não consegui pará-lo. Por vezes batia no homem, em outras levava uns socos.
Os amigos de Bruno, coitados, estavam ainda mais perdidos que eu.
- Gente, ele sempre foi tão pacífico. – Dizia um.
As pessoas que ainda estavam lá, saíam aos poucos de perto evitando serem atingidas inocentemente.
Dois seguranças vieram e afastaram os dois que ainda lutavam, agora para sair dos braços dos seguranças e se engalfinharem novamente.
- Tudo isso pra defender essa bixinha. – Dizia o rapaz.
- Você respeite os outros, moleque. Você ainda nem pediu desculpas para ele. – Berrava Bruno.
Fui aos poucos, com bastante jeito que consegui acalmá-lo, mas aquele era o fim de nossa noite, com uns vermelhões no rosto de Bruno e o orgulho atingido.
Despedimo-nos e fomos embora.
Bom, no estado em que Bruno estava não podia deixá-lo sozinho.
Dentro do carro conversamos brevemente.
- O que foi aquilo? – Perguntei a Bruno.
- O menino te desrespeitou, não podia deixar que ele fizesse isso. Você é meu namorado agora e não vou permitir isso. – Respondeu.
Quando concluiu, Bruno pegou a palma minha mão e a beijou, num gesto sincero e apaixonado. Me rendi e fui logo beijando sua boca.
- Eu te amo, e não vou deixar que nada de ruim te aconteça. Vou te proteger. – Bruno disse.
Fomos para a casa dele, não estava preparado para ir para lá, mas naquele estado, agora era eu quem deveria cuidar dele.
Chegando em sua casa, peguei uma bolsa de gelo e a enchi com alguns cubos. Fui colocando em seu rosto e soprando cada um daqueles vermelhos, marcas de sua briga.
Ele que agora repousava sua cabeça em meu colo para que assim cuidasse dele, tinha seus olhos e atenção todos voltados para mim. E seus olhos não se desviavam.
- Dorme aqui comigo de novo?
- Claro! Já está perto de amanhecer, só não posso sair daqui tão tarde quanto ontem.
Ele puxou minha cabeça em direção a sua e beijou-me. Pus minha mão em seu abdômen e lá ficamos inertes, somente aproveitando aquele momento, o ambiente que era mágico, e meu homem que me amava acima de tudo.
Fomos para seu quarto, e lá dormimos. Desta vez não fizemos sexo, mas melhor, muito melhor, nos abraçamos e assim pegamos num lindo e profundo sono, onde eu tinha o meu homem nos meus braços, olhando para mim e dizendo que me amava mais do que todas as outras coisas. Como eu o amo!

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Desejos Vãos.

Eu queria ser o Mar de altivo porte
Que ri e canta, a vastidão imensa!
Eu queria ser a Pedra que não pensa,
A pedra do caminho, rude e forte!

Eu queria ser o Sol, a luz intensa,
O bem do que é humilde e não tem sorte!
Eu queria ser a árvore tosca e densa
Que ri do mundo vão e até da morte!

Mas o Mar também chora de tristeza…
As árvores também, como quem reza,
Abrem, aos Céus, os braços, como um crente!

E o Sol altivo e forte, ao fim de um dia,
Tem lágrimas de sangue na agonia!
E as Pedras… essas… pisa-as toda a gente!…

Florbela Espanca - Livro das mágoas.
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Florbela Espanca, a tradução da dor e desespero.
Uma poetisa singular em suas palavras e história de vida.
Não um exemplo, mas uma moral.

Aqui venho também falar da minha vontade de escrever um livro de poesias.
O gênero? Não sei.
Identifico como uma mistura entre ultra-romântico e pós-moderno.
Minhas coleções já estão sendo arquivadas para em breve escrever a minha obra.
Uma vida, uma terapia escrita.
Queira Deus que tudo dê certo. Espero ansiosamente que sim.

Espero que tenham gostado do poema que postei; Florbela é uma de minhas grandes inspirações.
Em especial a obra: O livro das mágoas que foi escrito pela mesma.
Uma obra ímpar..a quem se interessar, está muito bem recomendado.

terça-feira, 19 de maio de 2009

...continuação [Parte III]

Naquela mesma manhã, assim que acordei ainda com olhos semicerrados vi que a cama estava vazia.
“Onde estará Bruno?” “Terá ido trabalhar e sequer me avisou?” “Talvez não quisesse me incomodar.” “Será que devo ir embora?” – inúmeras perguntas corriam minha mente para tentar entender o porquê de não vê-lo ali, naquele momento depois de uma noite tão maravilhosa.
Me enrolei naquele lençol escarlate e fui andando pela casa em direção à cozinha.. precisava de um copo de água e, foi lá mesmo na cozinha que o vi somente com uma samba canção preparando uma mesa com pães, manteiga, leite, café e frutas. Era um banquete.
- Ah! Bom dia dorminhoco, como está? – Bruno me perguntou.
- Bem, eu acho. Que horas são?
- Ainda é cedo, não se preocupe com isso.. preparei essa mesa pra você. – Ele respondeu.
- Vou colocar minha roupa. – Respondi.
Voltei e, de fato, aquela mesa parecia bastante convidativa e logo me sentei frente ao meu homem. Peguei uma fatia de pão e já fui passando a manteiga, sem cerimônias, pois também estava faminto e foi aí que ele colocou sua mão sobre a minha e me disse: “Seu cabelo está todo bagunçado.”, e riu num gesto meio sem graça.
- O que? – Fiquei imóvel, achei que ele falaria algo mais romântico ou adequado ao momento onde duas pessoas apaixonadas se sentam para comer.
- Seu cabelo, está bagunçado. – Repetiu a frase.
Meio desconcertado e fazendo questão de apresentar tal reação, passei suavemente as mãos pela minha cabeça para ver se assim aquietava as madeixas.
- Não se preocupe, você fica lindo assim. Um jeito meio menino de ser, foi isso que me conquistou em você. – E Bruno seguiu dizendo: Adorei a nossa noite, você é muito gostoso e eu te quero sempre do meu lado.
Aquele assunto estava me deixando pouco à vontade. Fazer comentários de uma transa é algo excessivamente desconfortável, mas tudo bem!
Depois de comermos fui arrumando os objetos, colocando-os sobre a pia, empilhando-os para que pudessem ser lavados (sempre é educado), mas ele me impediu agarrando minha mão e me puxando para a sala onde ficamos por um tempo vendo desenho na televisão e trocando carícias e beijos.
- Lú, tenho que ir trabalhar. – Bruno me avisou.
- Sim. E eu tenho que ir embora, minha mãe deve estar doida atrás de mim. – Sorri meio sem graça.
Ele se levantou, virou-se para mim e estendeu sua mão. O que aquilo queria dizer?
- Vamos tomar banho. – Respondeu, como se já tivesse lido a minha mente.
Segui-o, e fui novamente tirando minhas roupas. Ele que já estava somente de cueca, facilmente se desfez de toda aquela ornamentação que escondia o seu sexo.
Entramos debaixo do chuveiro e fomos inundados com uma água quentinha e suave que parecia lavar nossas almas. Ele ia me lavando, passando xampu sobre minha cabeça enquanto eu estava de costas para ele, aproveitando também para se encostar-se a mim.
Lavava minha cabeça e descia suas mãos sobre meu corpo, lavando cada pedacinho de mim, me excitando. “Vou cuidar de você agora, menino.” – Bruno dizia. Ele seria meu homem, aquele que cuidaria de mim, me defenderia e muito além... me amaria.
Assim que a espuma se entregava sobre a água deixando-se despregar de meu corpo, Bruno envolvia-me em seus braços fortes e me agarrava, beijava meus lábios. Aquela água escorrendo sobre nossos corpos dava um clima tão sensual àquele momento que mal poderia controlar um gozo.
Ver a água correndo sobre o corpo do meu homem, parecendo gotículas que brotavam de seu âmago, gotas que ia aos poucos sugando a cada passar de minha língua sobre aquele corpo.
Bruno sequer esboçava uma reação, apenas encarava-me nos olhos, olhando meu espírito e beijava-me; em silêncio entramos, e do mesmo modo saímos. Começava a me preocupar.
- Porque você está tão calado? Arrependido por ontem a noite? – Perguntei.
Ele que estava de costas vestindo uma camisa em algodão onde cores claras se destacavam sobre pequenas linhas traçadas ao longo do tecido. Era sexy além de lhe atribuir um ar senhorio. Terminou de abotoar aquela camisa e voltando-se para mim disse que me sentasse. Foi que fiz.
- Lú, tenho que te confessar uma coisa, ...

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Mais uma sessão na psicóloga.

Pontualidade britânica - isso é o que me caracteriza.
Chego e sento na mesma poltrona posicionada transversalmente sobre a borda de uma parede.
Paro e... nada me ocorre. O que fazer?
Como sempre...vou analizar o ambiente (que aliás nunca muda).
Um criado mudo branco posicionado ao lado da poltrona de terapeuta que por sua vez estão a minha frente; neste criado encontram-se uma escultura em argila e posteriormente queimada. "Seria barroca?" - Aquilo não me interessava.
Ainda naquele criado, algo que há tempos me intrigava, um copo, e dentro dele um líquido com uma tonalidade meio amarelada...aquela tonalidade seria enfeite do copo ou seria algum suco?
Se fosse suco, de que seria?
Porque minha terapeuta insiste em todas as sessões tomar este mesmo suco?
Insisto... deve ser suco de cajú. Logo percebi pela tonalidade.
Quadros cercam o ambiente da sala e breves palavras saem de minha boca.
- Estou bem! Razoavelmente bem!
E assim começou a sessão.
[...]


Porque é tão difícil conversar?
Porque é tão difícil se abrir com o outro, mesmo sabendo que o outro pode te ajudar e está ali para te ajudar?
Há dúvidas e questionamentos que as respostas para uns são óbvias, para outros, por mais que as procurem, parece impossível de encontrá-las.
Tenho andado em círculos e não sei discernir se tenho estendido a mão para pedir ajuda ou se tenho recolhido a mão para os que me oferecem ajuda.
E sofro, sofro ao saber que muitos à minha volta também sofrem com isso.
Mas vou continuar a viver.
Vou continuar a escrever, pois essa é a única forma de expressão que encontrei.

sábado, 9 de maio de 2009

Confissões.

Estou angustiado.
Sinto dor, tristeza e mágoas, o motivo pelo qual ainda não sei. Tanto faz.
Meu espírito é velho embora esteja em um corpo tão jovem.
Ultimamente passei por coisas terríveis, embora não sejam para muitos de vocês.

Algumas pessoas lembram de seu primeiro beijo, a primeira transa, o primeiro namorado, o primeiro porre, a primeira viagem com os amigos. Não me recordo de nada disso.
Minha mente está vazia, e sequer um sorriso estampa meu rosto.
Coisas banais como estas antes descritas marcam a vida de uma pessoa; coisas estas que não me lembro.
- Quando foi o meu primeiro beijo?
- Nunca tive um namorado em toda a minha vida; sempre solitário.
- Dentre tantos copos já virados, qual deles foi o primeiro?
- Não, já não sei se tenho amigos.

Ultimamente só tenho dormido para passar tamanha dor, para sufocá-la.
Talvez escrever seja uma forma de retirá-la de mim, de exprimi-la, talvez tenha nisso um propósito terapêutico.

A tempos atrás experienciei algo que nunca havia passado antes. Tive o meu primeiro surto psicótico. Esta é a única lembrança que carrego comigo.
Complexa cognição a que se recorda somente de fatos tristes e abstrai momentos felizes. Porque?

Minha família toda preocupada ao ponto de se desfazer, minha psiquiatra que me indicou pra uma psicóloga, remédios e conselhos que dizem que eu não posso mais sair sozinho pelo período de estabilização destes surtos, não posso dirigir, não posso beber ou fumar pois estes aumentam a ansiedade.
Uma vida restrita e incomparavelmente aflitiva. Seria melhor a morte?
Sim, esta tem sido muito pensada ultimamente.
Eu não amo a minha existência. Sempre projetei este papel a outros, e todos falharam neste processo.
Mas como poderiam se sempre fico em esquiva?

Sinto que meus amigos estão me virando as costas... Alguns tem vergonha, outros somente me recriminam. Diziam-me que amigos dá-se para contar nos dedos de uma mão, mentira!
Eles não existem, são colegas, conhecidos com os quais divido experiências.
Talvez esteja sendo um tanto equivocado, mas até que me provem o contrário.
Sou realmente tão frustrado?
Porque nunca ninguém me amou nesta vida?
Qual o meu problema? Sou assim tão repulsivo?